RPBC se recusa a discutir com sindicatos redução salarial de terceirizadas

Lavaram as mãos

Abandonando completamente qualquer resquício de responsabilidade social que ainda restava, gerência da refinaria vira as costas para o drama de centenas de trabalhadores. Diante da recusa ao diálogo, a resposta será com mobilização. Sindicatos articulam luta contra a retirada de direitos

No último dia 5, a gerência de Recursos Humanos da RPBC respondeu ofício protocolado no dia 22 de janeiro pelos sindicatos que representam os petroleiros diretos e terceirizados da unidade. No documento, assinado pelos sindicatos de petroleiros, metalúrgicos, construção civil e Comissão de Desempregados, é solicitada reunião para discutir a política de contratação de serviços adotada pelas empresas terceirizadas.

Em uma ação unitária inédita, que se explica em boa medida pela gravidade da situação, o ofício entregue à refinaria tinha por objetivo iniciar um necessário diálogo com a empresa. Mas após quase duas semanas de espera, o retorno não poderia ter sido pior. Mais do que se esquivar, a direção da refinaria deixou bem nítido o seu desprezo pelo drama vivido por centenas de trabalhadores.

A empresa afirma que “não deve fazer ingerência na política de contratação de trabalhadores pelas empresas que lhe prestam serviços, não sendo possível a sua discussão”. Em outras palavras, afirma que o achatamento salarial, a destruição de direitos e as condições penosas de trabalho dos terceirizados são problemas com os quais a refinaria não tem preocupação. Por isso, terceiriza para outras instâncias esse necessário debate. Neste caso, o CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. Uma resposta pretensamente “técnica”, para uma postura que é eminentemente política.

Confira o comentário do diretor Fábio Mello, na Assembleia de Desempregados de Cubatão, sobre o tema

É um absurdo que a companhia dê de ombros para as chantagens e ameaças que os petroleiros terceirizados sofrem cotidianamente. "Redução salarial ou o olho da rua, o que você quer?”, é a pergunta mais ouvida pelos terceirizados. Mas para a gerência da RPBC nada disso importa.

Com o discurso da crise debaixo de um braço e a reforma trabalhista de outro, as gatas fazem a farra na refinaria, tratando vidas como meras mercadorias. Infelizmente, não muito diferente do que a própria companhia vem fazendo com os petroleiros próprios: redução de efetivo, retirada de direitos, condições de trabalho cada vez piores.

Não é só na refinaria, é em todo Sistema
Como o Sindipetro-LP já alertava, a Petrobrás abandona por completo qualquer resquício de responsabilidade social com a região e seus trabalhadores. Não há nenhuma lei, regra ou norma que impeça a gerência da refinaria de buscar, politicamente, uma solução para o que vem ocorrendo na unidade. Pelo contrário, ela sabe muito bem que a sua co-responsabilidade trabalhista lhe exige uma postura diferente.

Entretanto, o problema está longe de ser pontual. No prédio do Valongo, em Santos, os petroleiros terceirizados também são diariamente ameaçados de demissão e corte de salários. Isso sem citar os atrasos, a impossibilidade de tirar férias com as constantes trocas de contrato, dentre outros absurdos. O mesmo vale para os terminais Pilões e Alemoa, assim como na UTGCA, onde a terceirização do laboratório vem causando sérios estragos. Em síntese, a Petrobrás da dupla Temer/Parente é uma Petrobrás que nega sua história, atuando como as petrolíferas internacionais: sem respeito nenhum pelo trabalhador!

Ao permitir que direitos sejam destruídos livremente, a gerência não é só conivente com o atual estado de coisas. Ela assina um cheque em branco para que as contratadas sigam cometendo esse crime sem qualquer cerimônia.

Neste sentido, parece existir um grande acordo entre a direção da Petrobrás e as empresas terceirizadas para aproveitar ao máximo as irregularidades e abusos que se tornaram “legais" com a contrarreforma trabalhista. Para os patrões e seus governos de plantão é assim: vale tudo em nome do lucro.

Nós, do Sindipetro Litoral Paulista, não aceitaremos calados esses abusos. Não permitiremos que os trabalhadores sejam tratados como mercadorias. Vendemos nossa força de trabalho, não nossas vidas.

Os sindicatos de petroleiros, metalúrgicos, construção civil e Comissão de Desempregados estão articulando as ações necessárias para reverter a atual situação. Uma vez fechada a possibilidade de diálogo pela gerência da RPBC, iremos iniciar a comunicação que ela melhor compreende: a luta!