Refinaria de Cubatão registra primeira morte por Covid-19

Luto

O Sindipetro-LP recebeu, na tarde de ontem (20), a informação de que um petroleiro terceirizado da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) havia falecido, vítima da Covid-19. Nesta quinta-feira (21), buscamos mais informações e, infelizmente, confirmamos a primeira morte de um trabalhador da unidade em decorrência do novo coronavírus.

Jorge Roberto Cláudio de Jesus, operador de máquinas que atuava na área do Coque, pela empresa Provac, faleceu na última terça-feira (19) de insuficiência cardíaca, decorrente do novo coronavírus. A morte ocorreu após 15 dias de internação na UTI Covid-19, da Casa de Saúde de Santos. Neste momento de perda e dor, o Sindipetro-LP presta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho. Em contato com a esposa do trabalhador, já nos colocamos à disposição para prestar o apoio e a assistência necessárias para atravessar esse período.

Direção da Petrobrás é negligente
Por não ter a representação sindical das petroleiras e petroleiros terceirizados, o Sindipetro-LP tem tido dificuldade para acessar informações mais detalhadas sobre a situação dos empregados indiretos em meio à pandemia. Não sabemos, por exemplo, como ocorreu a contaminação de Jorge Roberto Cláudio de Jesus. Se dentro da unidade ou fora.

Essa dificuldade se impõe pela conduta desumana da atual direção da Petrobrás, que enxerga na força de trabalho terceirizada apenas números. Com o início da pandemia, essa postura tem consequências dramáticas: em vez de se valer de sua robusta condição financeira para preservar a vida e a dignidade de toda a força de trabalho, a gestão elegeu como prioridade a preservação da produtividade e do lucro aos acionistas, mesmo que isso custe vidas, demissões e reduções salariais.

Demissões e cortes de salários
Desde o início da quarentena, através de informações compartilhadas pelos sindicatos de Metalúrgicos e Construção Civil, soubemos que só no mês de março 56 trabalhadores foram dispensados, sendo 30 da manutenção de equipamentos estáticos; 20 da manutenção de equipamentos dinâmicos; e seis da elétrica e instrumentação. Na empresa C3, no mesmo período, houve redução de jornada e redução salarial de 30%. Agora em maio, na semana passada, recebemos a notícia de 40 demissões na Normatel e sete demissões na Comau.

Reivindicações do Sindicato são ignoradas
Até o momento, a gerência da unidade - seguindo a cartilha da alta administração - não atendeu as principais reivindicações do sindicato para o combate aos impactos sanitários e econômicos da Covid-19 na Petrobrás. Tanto é que já denunciamos, em reportagem, um surto de casos suspeitos e confirmados de Covid-19. Desde o início da pandemia, pontuamos a necessidade da empresa colaborar efetivamente com o isolamento social, única medida até agora disponível para achatar a curva de contágio. Isso se daria, principalmente, com a manutenção apenas dos serviços essenciais para a continuidade operacional da planta e com a adoção de um protocolo rigoroso de prevenção ao vírus.

Neste protocolo, estariam envolvidas ações como a aplicação de testes rápidos, afastando os trabalhadores com sintomas; fornecimento de álcool gel e máscaras; limpeza e controle das vias e setores internos de toda a refinaria; maior cuidado na exposição de alimentos, desinfecção das catracas de acesso; mais rigor na limpeza dos mobiliários e equipamentos; distanciamento nas filas e mesas do restaurante; reabertura do outro restaurante e campanhas de conscientização.

Para que os petroleiros terceirizados não sejam prejudicados e possam cumprir a quarentena indicada pela OMS, preservando somente os serviços essenciais à continuidade operacional, cobramos também a adoção de medidas mitigadoras nos contratos.

Por padrão, as empresas que prestam serviços à Petrobrás recebem o equivalente ao trabalho efetuado. Para cada serviço realizado, uma fatura é quitada. Sempre foi assim. Mas com a necessidade de isolamento social e dispensa daqueles que não executam atividades essenciais, uma dificuldade se impôs: não é possível seguir cumprindo as metas estipuladas em contrato antes da pandemia. Ainda mais porque, desde que assumiu pra si a tarefa de reduzir custos a qualquer custo, a direção da companhia vem selecionando as empresas que oferecem o menor valor, pouco importando sem possuem condições para executar o serviço.

Com o país mergulhado no estado de calamidade pública, era de se esperar da Petrobrás, que faturou no ano passado mais de R$ 40 bilhões, uma alternativa provisória para as exigências previstas nos contratos, oferecendo alguma flexibilidade. Mas a alta cúpula da companhia se recusa.

Salvar vidas, não lucros! Tirar do andar de cima
O Sindipetro Litoral Paulista, inclusive, já apresentou apresentando três ações alternativas: 1) reduzir o salário dos grandes executivos em 30%; 2) suspender as gratificações aos cargos de confiança que custam milhões aos cofres da empresa; 3) permitir que sejam celebrados aditivos nos contratos com as terceirizadas para a preservação dos salários e empregos dos trabalhadores. Com isso, preservamos não só a empresa, mas o que mais importa: a vida dos trabalhadores, assim como seus salários e empregos. Trata-se de uma das maiores empresas do país, reconhecida historicamente por seu compromisso com os brasileiros. O lucro não pode estar acima da vida.