entre os maiores planos de previdência do Brasil
Eric Gil Dantas, economista do Ibeps
Em 2025, os planos da Petros registraram resultados positivos – todos acima de suas respectivas metas atuariais –, os quais já discutimos em artigo anterior no site. O desempenho, porém, não foi uniforme quando comparado ao de outras grandes entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) do país. A análise a seguir, baseada em dados da Abrapp e nos relatórios anuais das próprias entidades, coloca a Petros lado a lado com os dez maiores planos de cada segmento – Benefício Definido (BD), Contribuição Definida (CD) e Contribuição Variável (CV) – e o posiciona onde a fundação teve melhor resultado e onde ficou aquém dos seus pares.
Uma ressalva metodológica é necessária antes de prosseguir. Comparar rentabilidades entre planos e entidades distintas tem limites importantes: cada plano carrega seu próprio histórico de resultados, suas obrigações atuariais específicas e sua política de investimentos, moldada ao longo de anos. Um plano que entregou 16% em 2025 pode estar recuperando perdas acumuladas de anos anteriores (como a Previ); outro, com 10%, pode estar exatamente onde precisava estar para honrar seus compromissos futuros. O exercício comparativo aqui proposto não tem o objetivo de classificar as entidades em melhores e piores gestoras, mas sim de situar a Petros no contexto mais amplo do setor.
BD: resultados medianos em um ano favorável à renda fixa
No segmento de Benefício Definido, os dois planos da Petros — o PPSP-Repactuados (PPSP-R) e o PPSP-Não Repactuados (PPSP-NR) — obtiveram rentabilidades de 10,37% e 10,44%, respectivamente. Como mostrado na Tabela 1 abaixo, ambos ficaram abaixo da média setorial de 13,23% apurada pela Abrapp para o segmento BD.
Entre os dez maiores planos BD do país, os dois PPSPs ficaram posicionados no meio do ranking, superando Funcef (10%), Real Grandeza (10,26%) e Sistel (9,86%), mas abaixo de Fapes (13,06%), Fund. Itaú Unibanco (12,55%), Vivest/Eletropaulo (12,30%) e – com larga distância – Previ (16,81%), o maior plano de previdência complementar do Brasil, que se recuperou de um 2024 muito ruim.
O resultado dos PPSPs reflete diretamente a estratégia de imunização adotada pela Petros a partir de 2022: com 88% da carteira em renda fixa, sobretudo títulos públicos contabilizados na curva, os planos BD entregam resultados consistentes e previsíveis – mas pouco sensíveis ao bom desempenho da renda variável. Em 2025, o Ibovespa subiu 33,95%, e planos com maior exposição a ações colheram melhores frutos.
O desempenho da Petros no segmento BD, portanto, não é ruim (temos que lembrar superou a meta) – é uma consequência deliberada de sua alocação, que prioriza a segurança e a cobertura do passivo atuarial em detrimento de retornos mais elevados.
Tabela 1 – Rentabilidade dos 10 maiores planos BD em 2025
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CD: próxima à média, mas longe dos melhores
O Petros 3 (PP-3), plano de Contribuição Definida da Petros, rendeu 13,20% em 2025 – um resultado expressivo em termos absolutos e 4,48 pontos percentuais acima de sua meta atuarial. Na comparação com os dez maiores planos CD do país, no entanto, o PP-3 ficou na oitava colocação entre os dez listados, abaixo da média setorial de 14,01%.
Os melhores desempenhos nesse segmento vieram de planos com perfis de alocação mais agressivos em renda variável. A Gerdau Previdência liderou com 15,81%, seguida pela Fundação IBM (15,66%), Itaú Unibanco (14,75%) e Visão Prev (14,62%). Já o PP-3 tem uma composição mais conservadora: 64,1% em renda fixa, 11,54% em variável e 9,79% em estruturados. Essa composição garantiu estabilidade, mas limitou o potencial de retorno em um ano em que a bolsa se valorizou mais de 30%.
Cabe registrar que, após o desempenho pífio de 2024 — quando o PP-3 rendeu 5,75% frente a uma meta de 13,1% —, o resultado de 2025 representou uma recuperação importante. O plano ainda tem um caminho a percorrer para recompor a rentabilidade acumulada dos últimos dois anos.
Tabela 2 – Rentabilidade dos 10 maiores planos CD em 2025
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CV: o destaque da Petros em 2025
É no segmento de Contribuição Variável que a Petros se sobressaiu. O Petros 2 (PP-2), com 15,25% de rentabilidade, encabeçou o ranking dos dez maiores planos CV do país – e o fez com folga. O segundo colocado, o Funcef (13,78%), ficou 1,47 ponto percentual abaixo.
O PP-2 também foi o único plano CV a superar a média setorial do segmento, de 13,58%. Seu resultado expressivo foi impulsionado pela renda variável, que rendeu 36,38% no consolidado do plano – acima do Ibovespa. Os fundos imobiliários também contribuíram positivamente, com retorno de 15,17%, em contraste com a performance negativa dos imóveis físicos dos PPSPs.
Há um elemento adicional que explica parte do bom resultado do PP-2 em 2025: a nova política de imunização implementada na parcela BD do plano, após a resolução do CNPC de dezembro de 2024 que autorizou planos CV a marcarem títulos na curva. Ainda assim, foi a parcela CD – com 15,66% – que puxou o resultado para cima, dado seu maior peso na carteira.
É também importante notar que o PP-2 possui a maior carteira entre os planos CV listados: R$ 57,9 bilhões, ante R$ 43,2 bilhões da Funcef e R$ 41,4 bilhões da Previ 2. Entregar o melhor retorno com o maior portfólio do segmento é um resultado particularmente relevante. Mas também precisamos lembrar que em 2024 o PP-2 teve um desempenho ruim, com rentabilidade de apenas 3,57%, ou seja, 2025 foi um ano de recuperação.
Tabela 3 – Rentabilidade dos 10 maiores planos CV em 2025
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Em síntese
O desempenho da Petros em 2025, visto a partir dessa comparação, revela um padrão interessante: os planos BD ficaram aquém do mercado, os CD ficaram próximos à média, e o plano CV liderou o setor. Essa hierarquia reflete, em grande medida, as escolhas de alocação de cada plano, e o risco associado.
Os PPSPs, com quase 90% em renda fixa, estão desenhados para pagar benefícios com segurança e previsibilidade – não para competir em retornos absolutos com planos mais arrojados. O PP-3, com perfil intermediário, entregou resultado compatível com sua composição. Já o PP-2, com maior liberdade para alocar em renda variável e fundos imobiliário, e vindo de um ano anterior ruim, aproveitou o bom momento dos mercados domésticos.
Em suma, 2025 foi um bom ano para a Petros – e um excelente ano para o PP-2. A comparação com o setor mostra que a fundação está bem posicionada onde tem flexibilidade de alocação, e que os planos BD cumprem seu papel com consistência, ainda que sem grandes resultados em um ano em que a bolsa bateu recordes.
