Petrobrás apresenta proposta para cláusulas sociais recheada de ataques

Redução de jornada com redução salarial, banco de horas para treinamento, corte nas horas extras. E, de quebra, adiamento da proposta de reajuste salarial, que será divulgada apenas no próximo dia 17 como parte do que a empresa irá propor para as cláusulas econômicas.

Nas cláusulas que tratam das relações sindicais, por exemplo, o conteúdo da cláusula 170ª foi alterada. Esta cláusula, do atual acordo, garante "que cada Sindicato signatário terá direito até 24 dias por ano para cada dirigente de base, totalizando no máximo 24 dirigentes, sem prejuízo da remuneração". Pela proposta atual, este texto simplesmente desaparece, sendo substituído por um texto de outra natureza, conforme segue:

"A Companhia realizará reuniões periódicas entre as Gerências das Unidades e os respectivos Sindicatos, em datas previamente negociadas, com o objetivo de tratar de questões locais, de interesse comum".

A Companhia realizará reuniões periódicas entre as Gerências das Unidades e os respectivos
Sindicatos, em datas previamente negociadas, com o objetivo de tratar de questões locais, de
interesse comum.

Este é um pequeno resumo do que a Petrobrás apresentou nesta quinta-feira (10), no Rio de Janeiro, aos dirigentes da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). Ainda precisamos avaliar a proposta na íntegra e de forma muito cuidadosa, pois não devemos duvidar que o ataque seja ainda maior. Por isso, em breve, apresentaremos a avaliação completa da FNP sobre a proposta da empresa.

No entanto, já podemos antecipar uma avaliação: se ainda restava alguma dúvida sobre o tamanho dos ataques desferido contra a categoria agora está muito claro, querem sangrar a categoria, jogar em nossas costas a conta da corrupção e da má gestão de meia dúzia de diretores. Soma-se à venda de ativos, ao perigo da entrega ainda maior do pré-sal, o corte de direitos e o avanço de uma política privatista em nosso ACT.

Qualquer semelhança com as medidas adotadas por todas as empresas, mediante a crise, não é mera coincidência. A proposta de reduzir salário com redução de jornada, por exemplo, não é nenhuma novidade. O próprio governo federal foi quem abriu essa avenida ao criar, em julho, o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que corretamente tem sido apelidado pelos trabalhadores de todo o Brasil de Programa de Proteção ao Empresário. Afinal, para preservar o lucro das multinacionais, deposita sobre os ombros da classe trabalhadora o preço de uma crise que não é nossa.

Mais do que nunca, é urgente a mobilização da categoria com a união dos 17 sindipetros em uma grande greve nacional.

Clique no link para conferir a proposta na íntegra.