Petroleiros terceirizados da RPBC paralisam atividades

Contra calote da MCE

Cerca de 200 profissionais da empresa terceirizada da Petrobrás, MCE, que presta serviços de manutenção na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, paralisaram as atividades na tarde desta segunda-feira (15). A paralisação continua nesta terça, com os trabalhadores na entrada da portaria 1 da refinaria.

Segundo os trabalhadores, no fim do ano passado a empresa alegou não ter como pagar integralmente o 13° salário dos funcionários, e como solução propôs parcelar em quatro vezes o pagamento. Mesmo com a compreensão dos trabalhadores, que tiveram que aceitar a proposta, a empresa atrasou a data combinada para os depósitos. Os trabalhadores se queixam ainda do atraso nos pagamento dos salários.

Outro problema enfrentado pelos trabalhadores é a falta do pagamento da rescisão contratual aos funcionários demitidos. Supervisores e encarregados da terceirizada também estão sem receber salários.

Os trabalhadores sofrem ainda com a falta do pagamento de férias, o que obrigou que os funcionários em férias gozassem do descanso sem dinheiro, prejudicando principalmente as pessoas que tinham viagens marcadas e que tiveram que se endividar para retornar ao trabalho, mesmo com os atrasos.

Vale Alimentação e Vale Refeição, que deveriam ter sido pagos na sexta-feira (12), também não foram pagos.

Cansados dos calotes, os trabalhadores da MCE resolveram cruzaram os braços, iniciando o movimento na segunda-feira sem a presença do Sintracomos, sindicato que os representa e logo se juntou à luta.

Segundo o Sintracomos, a paralisação dos trabalhadores continuará até que se resolva o problema. O medo dos terceirizados é que a Petrobrás já tenha repassado os valores do contrato para a MCE e que a empresa deixe a RPBC sem pagá-los. Representantes da MCE devem se reunir nesta terça-feira com a gerência da RPBC para tratar da situação.

Na próxima sexta-feira (19), está marcada Mesa Redonda no Ministério do Trabalho e Emprego para tentar resolver a pendência da empresa com os trabalhadores. A reunião será na sexta-feira (19), às 10 horas.

Os problemas com a MCE não estão limitados apenas aos trabalhadores da RPBC, mas se repete em outros contratos com a Petrobrás. A situação dos trabalhadores da terceirizada reflete a precarização do sistema de licitação da Petrobrás, onde quem ganha é a empresa que apresenta o valor mais baixo.

Para manter o lucro dos contratos, as terceirizadas acabam fazendo manobras econômicas que atingem principalmente o trabalhador. Além disso, há a diminuição de solicitação de serviços feitos pela Petrobrás às empreiteiras, o que diminuiu a demanda de trabalhos e o lucro das “gatas”, que acabam “miando”, como se diz no chão de fábrica.

O Sindipetro-LP apoia a manifestação dos trabalhadores da MCE e irá cobrar providências da Petrobrás com relação a este e a outros empresas terceirizadas, que estão prejudicando centenas de trabalhadores na região. A próxima reunião com o RH corporativo da empresa será nos dias 24,25 e 26, quando se discutirá esta e outras pautas.