No dia 28 de março a Baixada Santista vai parar, aponta Conselho Sindical

Movimento sindical

Se os planos articulados pelo Conselho Regional Sindical nas últimas semanas tiverem sucesso, se desenha na Baixada Santista um grande dia de paralisação. E a data já está marcada: 28 de março, última segunda-feira do mês.

A data foi aprovada na 2ª Plenária do Conselho Regional Sindical, realizada na manhã desta quarta-feira (09), na sede do Sindipetro-LP, em Santos. Pelo teor dos debates, cujo consenso é a posição de que não cabe aos trabalhadores pagar a conta da crise, o objetivo é chamar a atenção para os ataques que a nossa classe vem sofrendo dos governos e patrões. E, para garantir uma ampla divulgação dessa iniciativa, parte da plenária foi dedicada à definição de um calendário que tenha iniciativas concretas como um manifesto unitário das centrais; visita às redações dos veículos de imprensa da região; e interlocução com as entidades sindicais que ainda não se incorporaram à construção da mobilização.

Mais uma vez, repetindo a boa representatividade da primeira reunião realizada semana passada, diversos dirigentes de centrais e sindicatos compareceram ao debate. Com isso, categorias como petroleiros, químicos, trabalhadores da saúde, do comércio e hotelaria, portuários, frentistas e metalúrgicos, estiveram representados.

O próximo passo, conforme deliberado pela plenária, é organizar grupos de trabalho para garantir a construção da manifestação. Uma nova reunião, agendada para quarta-feira (16) que vem, às 10h, na sede do Sindipetro-LP, deve encaminhar os últimos detalhes dessa ação unitária.

O Sindipetro Litoral Paulista, através de seus diretores, mais uma vez reafirmou a necessidade de encarar a venda do pré-sal e a privatização da Petrobrás como tarefas de todos os brasileiros, não apenas dos petroleiros. Além disso, respeitando a opinião e decisão da maioria, o diretor Fábio Mello apresentou uma proposta de plano de ação alternativa ao que foi aprovado. Um plano de ação que julgamos, neste momento, com melhores condições de garantir uma mobilização forte em nossa região, que seja capaz de envolver a população e pressionar os governos e patrões a recuar nos ataques contra a classe trabalhadora. Mesmo não sendo aprovado, julgamos importante sua divulgação para que a discussão sobre as estratégias de luta não fique restrita aos dirigentes presentes nas reuniões.

Leia na íntegra a proposta apresentada pelo Sindipetro-LP ao Conselho Regional Sindical:

Diante da crise econômica-social que recai somente sobre as costas da classe trabalhadora e do povo pobre, precisamos de uma resposta unificada das entidades sindicais e dos movimentos estudantil e social da região. Sem a entrada em cena da classe trabalhadora, com seus métodos de luta (greves, paralisações, piquetes, atos) os ataques serão ainda piores.

Demissões em massa na Usiminas, demissões de terceirizados na Petrobrás, privatização dos serviços públicos em Santos, por meio das OSs, privatização do pré-sal através do acordo PSDB-Dilma para aprovar o PL 131 de Serra. Esses são apenas alguns dos exemplos dos muitos ataques que afetam diretamente a vida da população da Baixada Santista. Isso sem falar nos preços elevados de taxas como luz, juros altos, alimentos cada vez mais caros. Está difícil a vida do povo trabalhador.

Para responder este ataque à altura não basta a vontade e disposição dos dirigentes sindicais. Ações isoladas, sem a participação dos trabalhadores, pouco ajudam para alterar a correlação de forças a nosso favor. Pelo contrário, muitas vezes se torna um obstáculo ao jogar a população e os próprios trabalhadores que dirigimos contra nós. Sabemos que ações urgentes precisam ser tomadas, mas dependendo da escolha feita e de como ela é conduzida não avançamos alguns degraus a mais. O que ocorre é justamente o inverso: retrocedemos.

Neste sentido, apresentamos uma proposta de plano de lutas que, num primeiro momento, pode parecer recuada e insuficiente, mas que a médio prazo, com paciência e forte trabalho de conscientização, pode nos garantir resultados muito mais efetivos.

1 – Construir um manifesto unificado das entidades, em forma de carta aberta à população, para sensibilizar os trabalhadores de todos os ramos sobre a crise instalada no país e sobre qual deve ser a saída em nossa opinião. Elaborar plano de distribuição amplo, nas cidades, nas fábricas, faculdades. Que todos os sindicatos distribuam esse material em suas bases, de preferência com a participação de dirigentes de outras entidades para fortalecer o caráter unitário da ação. Nesse material, apontar a necessidade de uma paralisação geral na região.

2 – Que os sindicatos realizem com suas categorias assembleias e/ou setoriais para discutir as melhores estratégias de mobilização para apresentarmos uma saída nossa, uma saída de classe para a crise. Nessas assembleias e/ou setoriais, identificar o sentimento das categorias e defender como única alternativa a mobilização direta, apresentando a nossa proposta de uma paralisação geral na região. Além disso, propor nessas oportunidades a formação de comitês de base com os trabalhadores para elaborar iniciativas.

3 – Após este trabalho, realizar reunião das entidades para fazer um balanço da receptividade dos materiais nas categorias, assim como retorno das assembleias e/ou setoriais realizadas. A partir daí, definir qual será o caráter da atividade. Em caso de um saldo positivo, propomos ações articuladas nas categorias: greve de 24 horas ou atrasos no início do expediente nas bases dos sindicatos. Onde não for possível, atos com a participação das diversas lideranças. Sendo definida uma data, rodar novo material com o balanço das iniciativas anteriores que permitiram e impulsionaram essa paralisação, com destaque para a divulgação da data de protesto/greve. Em caso de saldo negativo, com as categorias desmobilizadas e sem disposição de ir à luta, discutir a possibilidade de transformar esta data numa atividade concentrada em ato público. na Praça Mauá, em Santos, por exemplo, ou na Prefeitura de Cubatão. Se for em dia de semana, no intervalo do almoço dos trabalhadores. Se for num fim-de-semana, para atrair público, discutir a possibilidade de realizar um ato-show com algum músico simpático à causa dos trabalhadores para preservar o aspecto político da iniciativa.