Atual gestão completa um ano a frente do Sindipetro Litoral Paulista

Balanço e perspectivas

Um ano atrás, em 1º de junho de 2015, a atual diretoria era empossada para a gestão 2015-2018 do Sindipetro Litoral Paulista - um dos sindicatos mais tradicionais e combativos do país. E ao longo desses 365 dias não foram poucos os desafios. Neste texto pretendemos fazer uma breve retrospectiva para realizar um balanço e apontar as perspectivas à luz dos trabalhos desenvolvidos nesses 12 meses. Certamente, este texto não conseguirá abordar em detalhes todas as nossas ações, acertos e erros. Ainda assim, esperamos que seja um ponto de partida para a própria categoria refletir a ação do Sindicato e apontar sugestões, opiniões e críticas. 

Um ano de intensas lutas
Uma das principais marcas deste primeiro ano de gestão foram (e são!) as lutas travadas pela categoria. Sabíamos dos enormes desafios que nos aguardavam, mas devemos admitir que poucos imaginariam que seriamos protagonistas de tantas lutas. Em 2015, os petroleiros e petroleiras do Litoral Paulista tiveram um papel determinante para a construção da histórica greve de 2015. Fomos importantes para o desenvolvimento da greve a partir das bases da FNP - elemento estratégico para espalhar a mobilização às demais bases do país.

Aliás, foi na preparação da greve que conseguimos, em boa medida, nos aproximar da categoria através das diversas setoriais e atrasos que realizamos no período que precedeu a greve em todas as bases. Nas unidades onde a nova gestão não era tão conhecida, como Pilões, Alemoa, Valongo, Merluza e Mexilhão, tivemos através desse processo de luta um contato mais efetivo. Valorizamos muito essas ferramentas, pois além de democratizar as decisões do sindicato e garantir uma saída coletiva pra luta, permitiram que os trabalhadores conhecessem de perto a nova gestão.
 
Como há muito tempo não se via, lotamos nossa sede e sub-sede não para aprovar a assinatura de acordos, mas para dar continuidade à luta. Fomos aprendendo com os erros, ouvindo os trabalhadores, vivendo 24 horas por dia uma greve que durou 23 dias em nossas bases. Enfim, boa parte de 2015 foi consumido com a luta pela manutenção dos nossos direitos e contra o desinvestimento da companhia.

Não poderíamos deixar de citar a realização de duas caminhadas, em Santos, em defesa da Petrobrás e do pré-sal. Com a participação de mais de 400 pessoas, em cada edição, conseguimos levar à população santista a mensagem que as emissoras de tevê e os jornais escondem: que a Petrobrás é viável, importantíssima para o desenvolvimento nacional, e que o plano dos governos é entregar esse patrimônio para as multinacionais. Essa iniciativa nos permitiu, durante sua divulgação, dialogar com os estudantes e trabalhadores de toda a região nas panfletagens que realizamos em universidades, escolas e locais de grande circulação de Santos e Cubatão.

Para além dos muros da Petrobrás
Um apontamento que fizemos foi a necessidade de tirar o Sindicato do isolamento no movimento sindical. A nociva ideia de que somos autossuficientes, capazes de resolver nossos problemas sozinhos, perdurou por muito tempo. Aos poucos, esse cenário se modifica. 

Seja através de iniciativas com a Fundacentro, como o Observatório de Cipas, seja através dos diálogos e ações com o Conselho Sindical Regional, seja através do Fórum Sindical formado no Litoral Norte, o Sindipetro-LP voltou a ter um papel importante não apenas como representante dos petroleiros, mas também como uma entidade que pensa e articula ações em prol de todos os trabalhadores do Litoral Paulista. Nossa participação em atos em defesa dos trabalhadores, em São Paulo e outras grandes cidades, também vem contribuindo para relocalizar o sindicato entre as entidades de classe mais importantes do país. Também voltamos a ter iniciativas no terreno das opressões, com participações em atos de mulheres em Santos e São Paulo e distribuição de cartilhas sobre assédio sexual.

Dentro disso, mesmo que timidamente, também voltamos os olhos com mais atenção aos petroleiros terceirizados. Nossa campanha de solidariedade aos demitidos da MCE, na RPBC, em Cubatão, foi uma importante iniciativa que devemos transformar em ação cotidiana. A solidariedade a esses companheiros, que trabalham todos os dias ao nosso lado, deve ser uma tarefa de todos os petroleiros.

Mas sabemos que esse isolamento se combate não apenas no campo sindical. Por isso, buscamos valorizar e estimular o papel do Sindipetro-LP como apoiador de iniciativas culturais em nossa sede. É com grande alegria que incentivamos o uso de nosso auditório como palco de peças teatrais, musicais e atividades beneficentes. Para nós, é importante que a sociedade enxergue no sindicato um ponto de apoio.

Articulação política
Apostar na mobilização direta da categoria não nos permite desprezar a necessária articulação política com os diversos atores da sociedade. Mais do que a permanente construção de unidade com as entidades de classe da categoria, materializadas na greve com a Jornada Unitária de Lutas no estado de São Paulo, buscamos ampliar nossa atuação para outras esferas. Alguns exemplos foram os trabalhos desenvolvidos, juntamente com a FNP e FUP, no Congresso Nacional, Senado, Tribunal Superior do Trabalho e Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Durante essas viagens, pudemos perceber que muitos parlamentares e senadores simplesmente desconhecem o que se passa na Petrobrás. Além disso, para garantir a posição dos petroleiros em relação aos nossos direitos, fizemos diversas incursões com ministros no recente julgamento da RMNR.

Litoral Norte
Um compromisso de campanha da atual gestão, a relação dos diretores de Santos com a categoria no Litoral Norte vem se fortalecendo. Mesmo diante de uma realidade dinâmica, estamos garantindo um calendário de visitas a São Sebastião e Caraguatatuba. Com razão, os trabalhadores do Litoral Norte se sentiam há alguns anos isolados em relação ao Sindicato. Agora, além da atuação diária dos diretores do Litoral Norte, empreendemos um esforço sistemático de realizar visitas, pelo menos, mensais ao Tebar e UTGCA. Esse trabalho foi fundamental, por exemplo, na construção de todas as mobilizações já realizadas na região. Ao sentir o Sindicato mais próximo, ao terem suas sugestões e críticas ouvidas, os trabalhadores felizmente passaram a sentir mais confiança em suas próprias mãos. Não por acaso, seja na greve, seja nas mobilizações mais recentes contra as retaliações aos grevistas, a categoria tem respondido positivamente quando é chamada à luta.

Comunicação
Em um país onde a informação é controlada pela grande mídia, a construção de uma comunicação eficiente é tarefa de qualquer sindicato que queira se comunicar não apenas com a categoria, mas com a sociedade. Por isso, uma das áreas em que mais investimos foi a imprensa do Sindicato. Criamos um novo site, mais dinâmico, com notícias diárias e ferramentas como acesso às ações jurídicas e atualização de cadastro; aumentamos a equipe, de dois para três jornalistas; investimos em nossa Fanpage, passando de 1.694 curtidas para 6 mil curtidas no intervalo de um ano; lançamos diversas cartilhas; e produzimos vídeos que já se espalharam pelo país, como a entrevista de Siqueira com mais de 500 mil visualizações.

Ações jurídicas, transparência e atendimento aos associados
Além de intensificar o número de ações trabalhistas, o Departamento Jurídico também tem servido de ponto de apoio importante para as lutas da categoria, para impedir as perseguições e retaliações à categoria. Além disso, tivemos um aumento sensível no número de processos e atendimentos no Departamento Jurídico. No setor administrativo e demais departamentos, estamos com um atendimento mais dinâmico e, por consequência, conseguimos aperfeiçoar e aumentar o número de associados atendidos. Com o novo site, também conseguimos construir um canal de transparência com a categoria. Em nossa página, na área restrita aos associados, há um espaço dedicado exclusivamente à prestação de contas onde periodicamente iremos inserir documentos com os balancetes contábeis da entidade.

Há muito ainda a ser feito
Sem a pretensão de apresentar esses elementos como justificativa aos nossos problemas, a nova gestão assumiu o sindicato em um verdadeiro turbilhão político e econômico. De quebra, a Petrobrás é um dos eixos e alvos dessa crise. Diante disso, e da necessidade de voltar todas as nossas forças para a luta em defesa da Petrobrás, não conseguimos levar adiante uma série de iniciativas que julgamos fundamentais.

Soma-se a isso o número pequeno de diretores liberados (cinco em Santos e dois no Litoral Norte) para executar as mais diversas tarefas. Dito isto, não poderíamos deixar de apontar o que precisamos realizar. Qualquer balanço que não tenha também autocrítica seria incompleto e, o pior, não nos daria condições de ajustar os passos para os próximos dois anos de gestão. Por isso, descrevemos aqui o que precisamos melhorar no próximo período.

Uma delas, por exemplo, é a necessária campanha de sindicalização. Mesmo sem uma iniciativa mais organizada, já conseguimos aumentar consideravelmente o número de sócios - de companheiros que chegaram agora à empresa e daqueles que, com esta nova gestão, se reaproximaram da entidade. Ou seja, se realizarmos uma ampla campanha podemos elevar ainda mais este número. Queremos mais associados, mais companheiros e companheiras na luta, porque ela se apresenta cada vez mais necessária. Precisamos aumentar nosso exército! 

Queremos também realizar mais cursos e seminários de formação para os dirigentes sindicais e trabalhadores. Já realizamos iniciativas importantes neste campo, seja na sede e sub-sede com cursos e palestras, seja através do recente curso de formação do Fórum Sindical do Litoral Norte. A Petrobrás investe em formação para nos enfrentar, devemos fazer o mesmo!

Além disso, garantimos à categoria antes de assumir a direção do sindicato que não fugiríamos do necessário debate sobre as formas de organização de luta da categoria, aí incluída a discussão sobre a realização de assembleias nas portas das unidades. Queremos, de forma paciente e aprofundada, garantir que a base se aproprie do tema para tomar uma decisão.

Reconhecemos ainda que nem sempre conseguimos fazer um trabalho de base à altura da necessidade da categoria. Com tantos ataques, tentativa de retirada de direitos, desmonte do nosso patrimônio, os problemas e dificuldades enfrentadas no dia a dia se multiplicam. Precisamos pensar coletivamente formas de fortalecer a relação do Sindicato com os representantes dos trabalhadores nas CIPAS - importantes parceiros nossos na luta. Com os companheiros e companheiras das plataformas de Merluza e Mexilhão, por exemplo, diante das dificuldades logísticas impostas pelo regime de trabalho devemos buscar, coletivamente, uma saída para garantir que a aproximação conquistada durante a greve não seja perdida. A proposta de eleição de delegados de base nas unidades offshore que já vem sendo construída pelo Sindicato e trabalhadores pode ser uma medida importante.

Por fim, diante de todo o exposto, para que nossos objetivos sejam alcançados e a gestão do Sindicato seja cada vez mais o espelho da vontade coletiva da categoria é preciso que todos os petroleiros e petroleiras se aproximem do sindicato, participem de nossas assembleias, setoriais, que toda a categoria tome pra si a responsabilidade de construir um sindicato de luta e democrático. Sozinha, a atual gestão será incapaz de responder à altura os enormes desafios que se apresentam. Vivemos duros ataques, uma tentativa brutal de retirada de direitos e desmonte do patrimônio público. Quanto maior a participação da categoria, quanto mais coletivas forem nossas decisões, menos erros cometeremos. Como sempre gostamos de ressaltar, e este foi o lema de nossa campanha: juntos somos mais fortes!