Falece Edmir Caldeira, petroleiro de luta e riso fácil

Luto

Costuma-se fugir dos clichês. Não pega bem. Mas há quem diga que eles só existem por carregar uma boa dose de verdade. Um deles, quando perdemos alguém querido sem aviso, é dizer em tom de lamento: “até ontem estava aí, bem, animado, dando risada”. Parece ser este o caso.

Na tarde desta segunda-feira (29), faleceu Edmir Caldeira, o Caldeira, petroleiro aposentado que fez da sede do Sindipetro-LP, em Santos, a sua segunda casa. Na sexta-feira (26), junto com outros colegas petroleiros estava na feira da Rua Campos Sales divulgando a campanha do Sindicato em defesa do pré-sal. Nenhum sintoma, nenhum sinal. Em meio aos gritos dos feirantes, vendendo frutas e verduras, era mais um buscando a atenção da população. A cada assinatura do abaixo-assinado que carregava debaixo do braço, uma nova vitória.

Fomos pegos de surpresa. A ficha ainda não caiu. Vítima de uma parada cardíaca, após um aneurisma intestinal, Caldeira entrou na Petrobrás em agosto de 1962 e de lá saiu em dezembro de 1985. Era técnico de operação na RPBC, mas sua especialidade não parecia ser operar máquinas, mas sim fazer graça da vida.

Ostentava 77 anos de alegria. Desafio e raridade era ver ele triste, cabisbaixo. Pra falar a verdade, que diga aí quem já viu esse sujeito resmungando pelos cantos. Não era famoso e nem artista de cinema, mas tinha seus dias de ator e personagem. Quem conviveu com ele sabe disso. Sabia imitar o som de um gato como ninguém, volta e meia contava alguma piada ou algum causo pra deixar o dia mais leve, a nossa vida mais quente. Uma enciclopédia de gracejos. Nem sempre agradava - é o risco de quem escolhe o desafio de arrancar o riso dos outros. Certo dia, na sede do Sindicato, resolveu tirar o canivete do bolso (o famoso canivete do Caldeira!) e apontar para uma funcionária do Sindicato em tom de ameaça. É claro, era brincadeira, mas quem disse que ela achou graça? Indignada, protestou.

Hoje, somos nós que protestamos. Um protesto de dor e tristeza pela perda de um companheiro de luta e sorrisos. O Sindicato hoje está mais triste. Está de luto. Não iremos mais ouvir suas piadas e nem iremos contar com sua juventude militante. Nas greves, nas campanhas de conscientização, estava sempre na tropa de elite dos defensores da Petrobrás e do pré-sal.

Além dos amigos e companheiros de luta, se despede da esposa e companheira de vida, Neusa Rodrigues da Cunha Caldeira, que tem 77 anos – a mesma idade do nosso companheiro. Não tinham filhos. 

Cabe a nós fazer a devida homenagem ao Caldeira. O velório acontece na Santa Casa de Santos, até às 12h, e o corpo será cremado no Cemitério da Vila Alpina

Caldeira, presente!