Centrais e sindicatos intensificam preparativos para greve geral na Baixada Santista

O Brasil vai parar!

Na manhã desta terça-feira (11), em reunião na sede do Sindicato dos Petroleiros, representantes das centrais sindicais e da Frente Sindical Classista da Baixada Santista se reuniram para intensificar os preparativos para a greve geral na região. Uma vez clara as razões da paralisação nacional, que é a luta contra as “reformas” de Temer, a reunião teve como centro a organização deste dia que promete ser histórico.

A principal preocupação dos dirigentes é garantir que a greve geral seja um dia de luta de todos os trabalhadores e trabalhadoras. Em outras palavras, há um esforço concreto de quebrar uma dinâmica recente de todo movimento sindical brasileiro: a construção de dias nacionais de luta sem a participação da base, construída e conduzida verticalmente, somente pelos dirigentes sindicais.

Para desconstruir esta realidade negativa, alguns encaminhamentos foram definidos para ajudar na difícil e necessária tarefa de disputar a consciência de toda a população: panfletagens massivas nos principais pontos de circulação das cidades, dentre eles terminais de ônibus, acesso à balsa e barcas, além dos centros comerciais dos municípios. Além disso, também haverá nas categorias, em cada local de trabalho, um forte trabalho de divulgação da greve.

No caso das categorias, aliás, já existe um movimento positivo de construção da mobilização. Portuários e bancários discutem na próxima segunda-feira (17), em assembleia, a adesão ao dia 28. Na terça-feira (18), será a vez dos petroleiros votarem a adesão à greve. Na mesma semana, com data ainda indefinida, os servidores de Santos também serão consultados em assembleia. E muitas outras categorias também vivem processos semelhantes, seja através de assembleias, plenárias e outras atividades.

Esta movimentação, de preparação prévia da greve, será fundamental para garantir que a base participe efetivamente deste movimento. Será fundamental também para aqueles que não irão conseguir sequer chegar ao trabalho por conta dos atos de rua que certamente afetarão a rotina das cidades logo pela manhã.

Há na grande imprensa, por tradição, um movimento consciente de taxar tais movimentos como verdadeiros transtornos aos trabalhadores. Através deste calendário de panfletagens, que inclui a circulação de carros de som diariamente pelas cidades, cabe aos sindicatos a tarefa de demonstrar que o transtorno é outro. Ele está na retirada de direitos com os ataques à CLT (100 artigos podem ser alterados com a reforma trabalhista); está na reforma da previdência, que impõe ainda mais dificuldades para o povo trabalhador e pobre se aposentar; está na ampliação da terceirização, que rebaixa direitos e precariza as condições de trabalho. Ou seja, o desafio é fazer com que a população não apenas apoie a greve geral, como se sinta estimulada a ser parte dela.

“Chegamos num momento em que todas as possibilidades de reverter esses ataques, sem a luta direta do povo, se esgotaram. Fizemos incursões em Brasília, concedemos entrevistas à imprensa nos posicionando contrários às medidas impopulares aplicadas nos últimos meses, alertamos todos os governos sobre o resultado desastroso para o futuro do país se tais contrarreformas forem aprovadas. Nada adiantou, não nos ouviram como já era esperado. Sendo assim, nos resta apenas a mobilização direta, a pressão popular. A greve geral chega como o último e mais estratégico recurso”, explicou Fábio Mello.

Dia 26, Assembleia Geral irá esquentar os motores!
Dois dias antes da aguardada greve geral, portanto no dia 26, a Frente Sindical Classista, as centrais sindicais e demais sindicatos que vêm construindo o dia 28 na região realizam uma grande Assembleia Geral com todos os ativistas, movimentos e lutadores para discutir e definir os últimos detalhes desta mobilização. A atividade acontecerá às 19 horas, na sede do Sindipetro-LP (Avenida Conselheiro Nébias, 248, Vila Mathias, Santos).

A importância política desta iniciativa está, sobretudo, na demonstração de força e unidade que ela pode simbolizar. Será a hora dos estudantes, dos secundaristas aos universitários, dos coletivos de luta contra o machismo, o racismo e homofobia, e de todos os trabalhadores, dentre eles os portuários, petroleiros, metalúrgicos, bancários, trabalhadores dos correios e da saúde, rodoviários, servidores municipais, estaduais e federais, enfim, será a hora de todos os trabalhadores da Baixada Santista se reunirem para mostrar à população e aos governos que uma das regiões mais estratégicas do país irá amanhecer no dia 28 de braços cruzados.

Às ruas construir a Greve Geral!