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A mobilização realizada nesta quarta-feira (27) no Aeroporto de Maricá, no Rio de Janeiro, marcou mais um capítulo da articulação nacional conduzida pela FNP, seus sindicatos — entre eles o Sindipetro-LP, que levou sua delegação — e pela FUP para pressionar por avanços no Acordo Coletivo e pela igualdade de direitos no setor offshore. A paralisação atrasou embarques, visibilizou a pauta do 14x21 para trabalhadores e trabalhadoras próprios e contratados e contratadas, e denunciou práticas de assédio, calotes e ataques às condições de trabalho.
Ao longo da manhã, dirigentes, trabalhadores e trabalhadoras de diversas bases do país reforçaram que a Petrobrás mantém lucros bilionários — mais de R$ 90 bilhões apenas em 2025 — enquanto amplia a distribuição a acionistas, inclusive estrangeiros, e restringe direitos fundamentais de quem produz essa riqueza. Foram 17 calotes em empresas prestadoras apenas este ano, com impactos diretos na vida de milhares de famílias.
A mobilização também denunciou a desigualdade entre regimes de embarque: enquanto petroleiros e petroleiras próprios da Petrobrás conquistaram o 14x21 com décadas de luta, contratados e contratadas seguem submetidos ao 14x14, o que representa quase um mês a mais de trabalho por ano. A reivindicação é simples e justa: isonomia plena, com 14x21 para todos e todas, independentemente da empresa. A luta ganhou novo fôlego também com o avanço no Congresso do Projeto de Lei que universaliza o 14x21, já tramitando em regime de urgência após articulação sindical.
Na mobilização, trabalhadores e trabalhadoras relataram ainda problemas graves de segurança, desde jornadas excessivas do pessoal do PAL e da inspeção até violações diretas da Lei 5.811/72, que garante descanso mínimo de 24h a cada jornada de 12h — um direito sistematicamente descumprido nas unidades marítimas. Foram lembrados também os acidentes fatais de 2024 e 2025, que atingem principalmente trabalhadores e trabalhadoras contratados e contratadas, revelando que o SMS deixou de ser valor e virou apenas um número na Petrobrás.
Outro ponto central da paralisação foi a presença da polícia acionada por gestores para pressionar o embarque. Em diversas falas, trabalhadores e trabalhadoras destacaram que o ato era pacífico, constitucional e coletivo, e que a tentativa de forçar o retorno ao trabalho configurava assédio moral, defendendo a patronal e não quem trabalha.
A categoria vive um momento decisivo: o ACT está travado, a Petrobrás não avança em garantias, benefícios e valorização, e a construção de uma greve nacional já está em curso caso a empresa mantenha a postura de intransigência. Até lá, outras paralisações como a de Maricá e Jacarepaguá seguirão ocorrendo, fortalecendo e mobilizando trabalhadores e trabalhadoras de todo o setor.
O recado foi claro: 14x21 para todos e todas, fim dos calotes, ACT digno, valorização real e respeito às vidas que sustentam a indústria do petróleo.
