Sindipetro-LP participa da SIPAT em São Sebastião e cobra ações coletivas de prevenção aos riscos psicossociais

Saúde Mental

A Diretoria do Sindipetro-LP participou, no dia 2 de dezembro de 2025, da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT) realizada no Terminal de São Sebastião. A programação da manhã foi inteiramente dedicada à saúde mental, com três palestras que evidenciaram a gravidade do adoecimento psicológico na Petrobrás e a necessidade urgente de medidas estruturais de prevenção.

A primeira palestra foi ministrada pela gerente de Saúde da Petrobrás, dra. Marcele Peres. Em seguida, ocorreu a apresentação do Sindipetro-LP, conduzida pela profissional de saúde coletiva que presta serviço ao Sindipetro-LP, dra. Sandra Beltran. Encerrando o ciclo, Shirley Moreno, da área de Responsabilidade Social Empresarial, abordou o tema do assédio no ambiente de trabalho.

Na exposição do Sindipetro-LP, Sandra Beltran buscou responder três questões centrais: por que os casos de adoecimento mental têm aumentado de forma tão significativa; como está sendo conduzida a avaliação dos riscos psicossociais diante das mudanças da NR-1; e de que maneira podem ser estruturadas medidas eficazes de proteção e prevenção.

Os dados apresentados reforçaram o crescimento expressivo dos afastamentos por transtornos mentais, com maior impacto sobre as mulheres. O médico do trabalho do Sindipetro-LP, Dr. Arlindo Antonio Almeida Silveira, chamou atenção para outro ponto alarmante: o avanço dos casos de suicídio, que atingem majoritariamente trabalhadores homens — uma situação agravada pela cultura do silêncio que ainda impede muitos deles de buscar ajuda.

A palestra do Sindicato também destacou os processos psicossociais no ambiente de trabalho que contribuem para agravar quadros já existentes, como a pressão por metas, prazos excessivos, falhas na negociação do teletrabalho e a sobrecarga relacionada ao número de IPTs. Para o Sindipetro-LP, é indispensável rever essa lógica de gestão, que adoece, fragiliza e coloca vidas em risco.

O Sindipetro reforçou que medidas tradicionalmente adotadas pela empresa — como campanhas, treinamentos e ações de conscientização — têm foco individual e, isoladamente, tornam-se insuficientes ou até ineficazes quando não acompanhadas de políticas preventivas coletivas. É no ambiente e na organização do trabalho que os riscos precisam ser enfrentados.

Outro ponto de alerta foi a fragilidade dos canais de ouvidoria e denúncia. Segundo relatos, esses mecanismos têm priorizado punições individuais, mas deixam brechas para que assediadores retornem aos postos de trabalho e promovam retaliações, negativas de transferência ou avaliações de desempenho injustas. Durante o debate, a representante da Responsabilidade Social informou que, recentemente, a empresa revisou seu procedimento, impedindo que trabalhadores punidos por assédio moral ocupem cargos gerenciais.

O anúncio dessa conduta é relevante, mas é necessária transparência: é preciso verificar se essa mudança está de fato em vigor, como está sendo aplicada e se contempla também trabalhadores contratados — ponto ainda incerto e que requer acompanhamento rigoroso.

Enfrentar o adoecimento mental requer ações estruturais, políticas de prevenção coletiva e mudanças profundas na gestão do trabalho. O Sindicato seguirá monitorando, cobrando e pautando soluções que coloquem a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras petroleiras em primeiro lugar.