É luta!
Nesta sexta-feira (26), o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista deu mais uma demonstração concreta de por que está na vanguarda do movimento sindical brasileiro. Em assembleia ampla e representativa, petroleiros e petroleiras da ativa, aposentados, aposentadas e pensionistas deliberaram pela suspensão da assembleia e pela continuidade da greve, reafirmando a disposição da categoria em seguir lutando por um Acordo Coletivo de Trabalho digno.
A mobilização registrou número expressivo de participação, com quase 400 pessoas votando simultaneamente na sede do Sindicato, em Santos, na subsede, em São Sebastião e no Hotel Promenade, no Rio de Janeiro, onde estão concentrados os grevistas offshore. A expressiva presença reforça o entendimento coletivo de que ainda há espaço para avançar nas negociações e que o que foi colocado à mesa até o momento representa muito pouco diante das perdas acumuladas e dos bilhões de reais distribuídos aos acionistas da empresa.
Mais do que uma resposta à proposta rebaixada da Petrobrás, a greve em curso já pode ser considerada vitoriosa em si mesma. Trata-se de uma das maiores greves em nível de adesão e participação dos trabalhadores nos últimos anos, construída de baixo para cima, protagonizada exclusivamente pela categoria. É uma greve que não foi imposta por sindicatos ou federações, mas encabeçada pelos próprios trabalhadores e trabalhadoras, cansados de produzir muito e receber pouco.
No Litoral Paulista, esse protagonismo ganha ainda mais relevância. A base sindical é reconhecida nacionalmente por sua complexidade e diversidade, reunindo praticamente todos os segmentos do Sistema Petrobrás: refinaria, plataformas do pré-sal, unidade de tratamento de gás, terminais, bases da Petrobrás e da Transpetro, além de prédio administrativo. Com exceção da área química, todos os setores estão representados — e, mais importante, todos seguem mobilizados no mesmo compasso.
Um dos pontos centrais levantados durante a assembleia diz respeito à forma como a empresa tem conduzido o processo de negociação, ignorando a complexidade das bases. O Litoral Paulista não pode aprovar uma proposta da mesma forma que bases menores ou mais homogêneas, pois aqui coexistem cláusulas específicas do offshore, da Transpetro, do setor industrial, do administrativo e de áreas estratégicas. A adoção de indicativos de aceitação genéricos acaba prejudicando justamente as bases mais complexas, como a do Litoral Paulista, onde cada segmento possui realidades e impactos distintos.
A greve também escancarou a força dos trabalhadores offshore, que paralisaram unidades, entregaram as operações aos grupos de contingência e demonstraram, na prática, o peso estratégico da categoria para o funcionamento do sistema. Esse movimento reverbera em terra, no mar e em todas as unidades da base, consolidando uma greve que é coletiva, solidária e consciente.
Outro ponto de forte crítica é a postura da Petrobrás em seguir deixando aposentados, aposentadas e pensionistas à margem das negociações. A categoria não aceita que quem construiu a empresa ao longo de décadas seja tratado como custo ou detalhe. O acordo é macro, afeta toda a categoria, e precisa contemplar quem segue pagando a conta dos equacionamentos e da política de retirada de direitos.
A assembleia desta sexta-feira deixou um recado claro: o Litoral Paulista é uma base complexa, estratégica e unida, que exige respeito na mesa de negociação. A continuidade da greve expressa não apenas insatisfação, mas maturidade política, consciência coletiva e disposição para lutar até que um acordo justo seja apresentado. Aqui, ninguém fica para trás!
