No 14º dia de greve, Petrobrás perde produção e paga o preço de não negociar com a categoria petroleira

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A Petrobrás, diferente do discurso que vem sendo difundido por aí, está sim perdendo produção em decorrência da greve nacional dos petroleiros, que atravessa o 14º dia mantendo força e impacto real nas operações. Um dos exemplos mais recentes envolve a plataforma P- 69, que registrou perda de produção após um evento operacional. Antes da ocorrência, a produção estava na casa de 119 mil barris; após a queda, despencou para cerca de 21 mil, com uma perda estimada em aproximadamente quatro horas, segundo informações técnicas. Trocando em miúdo, estima-se que tenha ocorrido um prejuízo de mais de R$ 5 milhoes.

Esse episódio se soma a uma sequência de ocorrências já registradas desde o início do movimento. No primeiro dia de greve, a própria empresa admitiu impacto na produção, tentando minimizar o efeito ao atribuí-lo ao início da paralisação. No entanto, ao longo dos dias, os fatos se acumularam: eventos na P-40, na P-68 e agora na P-69 demonstram que a greve segue firme e vem, sim, gerando prejuízos operacionais.

A insistência da gestão em não negociar aprofunda esse cenário. Em vez de buscar uma solução pela via do diálogo, a presidência da Petrobrás tem adotado posturas que dificultam as negociações, como a recusa em discutir a isonomia alimentar, a negativa em tratar da Lei 5.811/72 no que diz respeito ao transporte dos trabalhadores e a tentativa de incluir “jabutis” no Acordo Coletivo de Trabalho, como o fim da supressão de folgas. Na prática, isso significa impor mais sacrifícios a quem já cumpre hora extra, sem garantir o direito ao descanso.

Esse conjunto de decisões evidencia uma condução pouco transigente e marcada pela má gestão. O resultado é um cenário em que a empresa acumula perdas que poderiam ser evitadas. Se houvesse disposição real para negociar desde o início, nada disso estaria acontecendo. A greve segue forte, a categoria permanece mobilizada e os prejuízos à produção demonstram que ignorar os trabalhadores tem um custo alto — para a Petrobrás e para os acionistas.