Está osso!
Pessoal, deixa eu dividir uma informação importante com vocês — daquelas que mexem direto com descanso, saúde e segurança. No ano passado tentaram me colocar pra “colaborar” com uma prática que a empresa vem usando com a gente nas plataformas: a tal da “quebra de embarque”. E o que é isso, na vida real?
Pra quem ainda não passou por isso, funciona assim: a pessoa faz o embarque normal de 14 dias. Aí, quando a chefia quer esticar, manda o trabalhador passar uma noite em hotel no Rio e depois reembarcar por mais 7 dias. No papel pode até parecer “intervalo”, mas na prática vira 21 dias trabalhando com só 14 de folga depois. Ou seja: inverte o regime que tá pactuado.
Nessa hora sempre aparece alguém dizendo: “ah, mas contratado trabalha assim”. Mas a gente sabe que eles se desgastam muito mais que o próprio justamente por conta desse regime. Outros vão dizer: "ah, mas o dinheiro extra ajuda pra caramba", mas também sabemos que no longo prazo não compensa. Esse tipo de mudança mexe com o corpo e com a cabeça: é menos descanso de verdade, menos convivência com a família e, ao mesmo tempo, mais tempo exposto a ruído, agentes químicos, rotina puxada e cansaço acumulado. E no embarque, cansaço não é só desconforto — é risco. Falha, distração e acidente muitas vezes começam aí.
Eu passei essa situação pro Sindicato e, pra não ficar só na conversa, a equipe de Saúde Coletiva da Trabalhadora e do Trabalhador analisou planilhas de embarque de 2024 e 2025, levou o assunto pros Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho e isso foi avaliado pelas áreas de fiscalização e combate a irregularidades em jornada e salário.
O retorno do Ministério foi bem direto: a “quebra de embarque” não tem amparo na legislação especial e não fica válida nem se acontecer com concordância do trabalhador. Em outras palavras: tem coisa que não vira “acordo”, porque envolve descanso mínimo e segurança. E o Ministério ainda recomenda suspender a prática imediatamente e voltar pro regime pactuado, equilibrado e proporcional.
Então minha conclusão é simples: vamos ficar atentos. Se isso estiver acontecendo na sua unidade também, não trate como “normal” e não deixe virar rotina. E se precisar denunciar, chame a Saúde Coletiva do Sindicato — a equipe orienta direitinho, inclusive sobre como registrar e que tipo de prova ajuda. Os contratados também podem pedir ajuda para verificar se há alguma irregularidade com seu regime. Veja os canais:
petrolinoquersaude@sindipetrosantos.com.br
WhatsApp: 13 99745-4645
Formulário anônimo: https://forms.gle/c79RbdPNiwfzjcza6
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