Solidariedade e cooperação
Movimentos sindicais e sociais, entre eles o Sindipetro-LP e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), decidiram iniciar a campanha pelo envio de petróleo brasileiro a Cuba e indicaram a realização de um ato no dia 26 de fevereiro, no horário do almoço, em frente à sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro. A data foi sugerida pela FNP e ainda depende de confirmação das demais entidades envolvidas. Assim que houver definição unificada, todas as informações serão publicizadas amplamente.
A iniciativa se justifica, segundo os organizadores, sem prejuízo para a Petrobrás e para o Brasil: tudo o que Cuba consome de petróleo em um ano equivale a apenas seis dias da produção total da Petrobrás. Para o movimento, isso demonstra que a ajuda é viável, não compromete o abastecimento interno e tem caráter humanitário.
Os organizadores também apontam para uma aparente contradição envolvendo as exportações brasileiras. A Petrobrás afirmou que não realiza vendas diretas de petróleo ao Israel desde 2023, destacando que comercializa o petróleo diretamente com refinarias estrangeiras e tradings, o que significa que, após a venda, a estatal não tem controle sobre o destino final da carga. No entanto, o petróleo produzido no Brasil entra no mercado internacional e pode chegar a Israel por meio dessas cadeias comerciais indiretas.
Para os defensores da campanha, se o petróleo que sai da Petrobrás pode alcançar Israel — ainda que por vias intermediárias — e possivelmente estar envolvido no abastecimento de setores que sustentam o genocídio contra o povo da Palestina, não há razão para que esse mesmo petróleo não possa ser direcionado a Cuba com o objetivo de salvar vidas, garantir energia a hospitais e amenizar os efeitos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.
A decisão de lançar a campanha foi tomada em reunião do Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e às Causas Justas (MBSC), que convidou a FNP e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), além de outras entidades sindicais e populares, para construir a iniciativa de forma unitária. A proposta do ato partiu da FNP e aguarda confirmação das demais organizações para unificar a mobilização nacional. A ideia é que também ocorram manifestações solidárias em outras cidades.*
Solidariedade e cooperação
Os participantes destacaram que Cuba tem histórico reconhecido de solidariedade internacional, com o envio de médicos e profissionais de saúde a diversos países ao longo de décadas — e, em outros momentos, também ao Brasil. Para o grupo, apoiar a ilha neste momento é retribuir essa solidariedade e, ao mesmo tempo, abrir caminho para cooperação futura nas áreas de energia e saúde, fortalecendo laços estratégicos entre os povos.
Além da mobilização prevista, a campanha definiu frentes de atuação para ampliar a pressão política. A comissão de comunicação vai levantar a composição da Frente Parlamentar Brasil-Cuba no Congresso Nacional, dialogar com deputados e senadores e buscar ampliar a adesão à pauta. Também será buscado apoio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Paralelamente, as assessorias jurídicas dos sindicatos deverão elaborar materiais que fundamentem a legalidade do envio de petróleo e derivados, rebatendo possíveis entraves burocráticos relacionados ao bloqueio.
O MBSC já realiza, de forma permanente, ações de solidariedade com Cuba e outras causas justas — como arrecadação e envio de medicamentos, insumos, alimentos e apoios materiais diversos, articulando redes de apoio e campanhas solidárias quando necessário. Nesta campanha específica, porém, o foco principal é garantir o envio de petróleo e derivados, por ser a urgência central do momento.
Para os organizadores, enfrentar o bloqueio a Cuba é uma questão de soberania nacional e de posicionamento político do Brasil na América Latina. Avaliam que romper essa barreira representa um passo importante contra ofensivas imperialistas na região e defendem que solidariedade concreta é a resposta mais coerente. O ato, uma vez confirmado, deve reunir petroleiros, movimentos sociais e parlamentares em defesa do envio de ajuda ao povo cubano.
Participaram da reunião representantes do MBSC, FNP, FUP, Sindipetro-RJ, Sindipetro-NF, Sindipetro Amazonas, Sindipetro-LP, Sindicato dos Trabalhadores da USP, MRT, MLC, UP, Instituto Genildo Batista, ACJM-RS, MST, Alba Movimentos, Comitê Abreu e Lima, Internacional Antifascista, além de convidados internacionais como a Central Bolivariana Socialista de Trabajadores y Trabajadoras de Venezuela.
