42 anos da tragédia: Da Vila Socó a Mariana e Brumadinho: o padrão da negligência empresarial

Nunca esqueceremos

Vila Socó 42 anos – Memória, Verdade e Justiça

Há 42 anos, em 24 de fevereiro de 1984, um incêndio sem precedentes na história do país devastou a Vila Socó, hoje conhecida como Vila São José, em Cubatão. A tragédia foi desencadeada por um vazamento de combustíveis em oleodutos que ligavam a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) ao terminal portuário da Alemoa.

O vazamento ocorreu durante a transferência de combustíveis por uma tubulação que não resistiu à sobrepressão, provocando a ruptura do duto e o derramamento de cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. O produto se espalhou sob as palafitas com o movimento das marés e, aproximadamente duas horas depois, houve a ignição. As chamas se alastraram rapidamente pela área alagadiça, consumindo as moradias de madeira e surpreendendo famílias inteiras enquanto dormiam.

O número oficial aponta 93 corpos encontrados. No entanto, moradores e entidades que surgiram após o desastre estimam que mais de 500 pessoas tenham perdido a vida. A dor permanece aberta. A busca por verdade e justiça também.

Passados 42 anos, a Comissão de Memória, Verdade e Justiça às Vítimas da Vila Socó segue inconformada com o silêncio, a naturalização da tragédia e a impunidade que marcou o caso. A normalização da insegurança, das mentiras corporativas e da responsabilização seletiva não ficou no passado. Ao contrário, ela se repete em casos recentes, como nas tragédias ampliadas de Mariana e Brumadinho, evidenciando um padrão perverso de negligência empresarial e fragilidade na responsabilização.

O papel da Comissão é fundamental para romper com essa cultura de impunidade jurídica empresarial espraiada pelo país. Preservar a memória é enfrentar o esquecimento conveniente. Exigir justiça é impedir que novas tragédias sejam tratadas como meros “acidentes”.

O Sindipetro-LP participou nesta quarta-feira (25) da atividade “Vila Socó 42 Anos – A Luta pela Memória, Verdade e Justiça”, na sede da OAB Cubatão – 121ª Subseção, reafirmando o compromisso com a preservação da memória histórica, a defesa dos direitos humanos e o reconhecimento das vítimas.

A tragédia da Vila Socó não pode ser tratada como um episódio encerrado. Ela é um alerta permanente sobre os riscos da negligência, da precarização e da falta de fiscalização adequada nas áreas industriais.

Para a diretoria do Sindipetro-LP, lembrar a Vila Socó é também afirmar, no presente, a defesa da vida e de condições seguras de trabalho. Apesar das recentes contratações, o Sindicato reafirma que o quadro atual ainda é insuficiente para garantir uma operação plenamente segura em nossas refinarias e terminais.

Após reduções sucessivas no quadro funcional — por aposentadorias, programas de desligamento, afastamentos ou transferências sem reposição adequada — as condições de trabalho foram diretamente impactadas. Em 2017, houve redução de 20% no quadro mínimo de operadores do processo produtivo. Hoje, com áreas ampliadas e responsabilidades maiores, operar no limite tornou-se rotina. E operar no limite, quando se trata de atividades de alto risco, significa colocar vidas em risco.

Memória não é apenas homenagem. É compromisso com o presente e responsabilidade com o futuro.

Seguimos vigilantes.