Racismo não é opinião, é crime: empregado da Transpetro é preso em Salvador acusado de racismo

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A Bahia é reconhecida nacionalmente por sua cultura vibrante, sua história, sua culinária e pelo maior carnaval de rua do país, quando recebe de braços abertos pessoas do mundo inteiro. Salvador se transforma, todos os anos, em um grande palco popular que atrai pessoas de todas as regiões do Brasil e do mundo. Mas, infelizmente, nem mesmo a maior festa popular do mundo está imune à violência estrutural que marca a sociedade brasileira: o racismo.

Em um país onde a maioria da população sobrevive com até dois salários mínimos e enfrenta jornadas extenuantes, muitas vezes em escala 6x1, o carnaval não é apenas festa — é trabalho. Foi nesse contexto que duas mulheres negras, que atuavam profissionalmente em um camarote em Salvador, denunciaram ser vítimas de um ataque racista explícito por parte de um homem branco.

De acordo com as vítimas, após advertirem um homem sobre regras de utilização de um espaço no camarote, passaram a ser alvo de ofensas criminosas, sendo chamadas de “macacas” e “escravas”.

A Lei nº 7.716/1989 (Lei do Racismo), define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Além disso, desde 2023, o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que a injúria racial é espécie do gênero racismo, sendo, portanto, crime imprescritível e inafiançável, nos termos do artigo 5º, inciso XLII, da Constituição Federal.

O agressor acusado foi identificado pelos jornais locais como trabalhador petroleiro, empregado da Transpetro,
lotado em Itajaí (SC), sendo preso em flagrante por discriminação racial. O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN), na Bahia.

Racismo não é opinião, é crime. Não há espaço para relativização. Não há “dois lados” quando o que está em jogo é a dignidade humana.

O UBUNTU, grupo de afinidade racial da Transpetro criado há três anos com o objetivo de enfrentar o racismo estrutural dentro da empresa, já encaminhou denúncia formal à Ouvidoria e ao Comitê de Ética da Transpetro, cobrando apuração rigorosa dos fatos e responsabilização adequada. O grupo segue acompanhando o caso.

O racismo é um sistema histórico de opressão que desumaniza pessoas negras para manter privilégios e hierarquias sociais. As mesmas lógicas que sustentaram mais de três séculos de escravidão institucionalizada no Brasil ainda se manifestam hoje, seja no mercado de trabalho, nas abordagens policiais ou em espaços de lazer.

Diante desse episódio, o Sindipetro-LP reafirma sua posição intransigente de combate ao racismo em todas as suas formas. Defender a classe trabalhadora é também enfrentar todas as estruturas de opressão que atingem trabalhadores e trabalhadoras negras cotidianamente.

Não existe neutralidade diante do racismo. Existe lado. E o nosso lado é o das vítimas, da justiça e da luta por igualdade real.

Com informações da TV Aratu