e quem paga a conta é o trabalhador
No laboratório da Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, a gestão terceirizada tem causado problema entre os trabalhadores.
Um bom exemplo disso é o laboratório. A equipe da unidade é composta majoritariamente por trabalhadores contratados, muitos com anos de experiência na unidade e histórico profissional consolidado. Ainda assim, com a troca de contrato, o que se viu foi a imposição de uma “nova organização” marcada por autoritarismo, favorecimento e denúncias graves de assédio moral.
O estopim veio quando precisaram recorrer à ouvidoria para denunciar esse cenário de assédio. A empresa ao invés de resolver a situação piorou ainda mais o quadro causando uma demissão arbitrária e piorando ainda mais o quadro de assédio.
A denúncia foi registrada na ouvidoria da Petrobrás, mas, como ocorre frequentemente, a apuração foi empurrada para a empresa contratada. Ou seja: terceirizado investigando terceirizado. O resultado disso foi retaliação.
O Sindipetro-LP cobra uma investigação séria, independente, sem conflitos de interesse, com garantia de acesso aos depoimentos e conclusão transparente. Ouvidoria não pode ser instrumento de perseguição nem justificativa para demissão.
O acidente não foi “caso isolado” — foi consequência
Um recente acidente no laboratório, ocorrido no mês de janeiro, escancara que o problema vai muito além de relações interpessoais. Ele revela falhas estruturais graves. De acordo com o relatório oficial da própria empresa, o acidente ocorreu durante uma análise de rotina, quando uma pipeta de vidro se rompeu e provocou corte na mão do trabalhador. Mas o mais grave não é o corte em si — são as causas apontadas, como, por exemplo, a ausência de treinamento formal obrigatório antes da execução da atividade e o treinamento prático insuficiente. Ou seja: não foi erro individual. Foi falha de gestão.
E mais: o trabalhador acidentado estava há pouco tempo na função e em processo de treinamento — exatamente o tipo de situação que exige maior rigor, acompanhamento e responsabilidade da gestão.
Diante disso, a pergunta que fica é inevitável: como um setor inteiro terceirizado consegue garantir segurança, se nem o básico — como treinamento adequado — está assegurado?
E a resposta também é clara: não garante. Terceirização é precarização!
O que acontece hoje na UTGCA não é apenas um problema pontual. É reflexo direto de uma política de anos de sucateamento que precisa acabar, de falta de investimentos na unidade e um quadro funcional reduzido ao extremo.
Hoje, o laboratório é praticamente 100% terceirizado. Técnicos de bancada, supervisão técnica — tudo nas mãos de empresas contratadas. Pela Petrobrás, sobra apenas uma presença mínima. E é aqui que mora um dos principais problemas: um setor estratégico, sensível e essencial está completamente terceirizado quando deveria ser primeirizado.
O Sindipetro-LP deixa claro: defendemos os trabalhadores e as trabalhadoras contratados. O que é inadmissível é a política que transfere responsabilidades, fragiliza a gestão e cria um ambiente propício para abusos, assédio e insegurança.
Transformaram um setor essencial em um espaço onde falta controle direto da Petrobrás, sobram conflitos de interesse, trabalhadores ficam expostos a assédio, retaliação e acidentes acontecem por falhas básicas de gestão e uma economia sem precedentes. E depois querem tratar tudo como caso isolado. Não é e nem nunca foi.
Basta de medo e precarização
Diante da gravidade dos fatos, o Sindipetro-LP convoca as trabalhadoras e os trabalhadores próprios e contratados a se mobilizarem e denunciarem qualquer prática abusiva para suas entidades representativas.
A diretoria do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista está acompanhando o caso de perto. Além disso, o serviço de Saúde Coletiva do Trabalhador está realizando um estudo sobre os fatores psicossociais no laboratório, com a participação dos trabalhadores do setor. O objetivo é apresentar propostas que contribuam para a melhoria das condições de trabalho e para a prevenção de situações de assédio e adoecimento mental.
Não aceitaremos assédio moral como método de gestão. Não aceitaremos retaliação contra denunciantes, testemunhas e acidentados. Não aceitaremos que terceirização signifique ausência de direitos. E não aceitaremos que um setor inteiro funcione sem responsabilidade direta da Petrobrás.
A UTGCA não pode ser território sem regras onde o que impera é a “lei do cão”. Nenhum trabalhador é descartável. Nenhum acidente pode ser relativizado. E nenhuma denúncia pode virar motivo de punição. Porque trabalhador não é custo. É quem sustenta a operação — e merece respeito.
