Em mesa
A Diretoria do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista participou junto com a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e de sindicatos filiados, da reunião da Comissão Corporativa da AMS realizada no último dia 5 de maio, no Edise, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu representantes do RH da Petrobrás, Relações Sindicais, Jurídico da empresa e da APS para debater problemas enfrentados pelos beneficiários do plano de saúde.
Entre os principais pontos defendidos pelo Sindipetro-Lp e a FNP esteve a cobrança por democratização da gestão da AMS. O sindicato e a Federação criticaram a postura da gestão da Petrobrás em manter o atual modelo de governança da Associação Petrobras Saúde sem adequação à Resolução Normativa nº 649 da ANS, que prevê mecanismos de participação direta dos associados nas decisões da operadora. A Petrobrás promoveu mudanças estruturais na AMS, reduziu passivos bilionários e transferiu responsabilidades para os trabalhadores sem garantir participação efetiva dos beneficiários nas instâncias decisórias.
Outro tema que gerou forte debate foi a situação financeira da AMS. Durante a reunião, o alto escalão da empresa apresentou o balanço da APS e confirmou que os descontos de 2% aplicados sobre a remuneração variável dos trabalhadores representaram uma arrecadação de R$ 116 milhões em 2025. Segundo a própria empresa, sem essa cobrança o exercício teria fechado com déficit técnico. A FNP questionou duramente o modelo adotado e voltou a defender que esses recursos sejam destinados diretamente ao Fundo de Sustentabilidade da AMS, garantindo maior segurança aos beneficiários.
Na oportunidade também foi cobrada transparência sobre a taxa administrativa de 5% aplicada pela APS, exigindo detalhamento dos gastos com contratos, folha de pagamento, terceirizações e despesas operacionais. Os trabalhadores precisam ter acesso claro à forma como os recursos da AMS vêm sendo utilizados.
A precariedade da rede credenciada e as desigualdades regionais no atendimento foram outro eixo central da reunião. Dados apresentados pela própria Petrobrás confirmaram a enorme diferença entre regiões do país. Enquanto o Nordeste possui cerca de 3.200 prestadores para atender 60 mil beneficiários, a Região Norte conta com apenas 258 prestadores para aproximadamente 5.800 vidas. A FNP denunciou a falta de especialistas, dificuldade para marcação de consultas e a chamada “falsa disponibilidade”, quando médicos aparecem credenciados no sistema, mas oferecem consultas apenas para meses ou até um ano depois.
Outro problema denunciado foi a dificuldade no fornecimento de medicamentos de alto custo, especialmente os medicamentos biológicos e voltados ao controle metabólico, como Ozempic, Mounjaro e Semaglutida. Existem denúncias de casos de interrupção de tratamento por falhas na logística de entrega. A APS reconheceu problemas operacionais no sistema de delivery e informou que voltou a disponibilizar os medicamentos em redes físicas até a normalização da cadeia de distribuição.
A pauta também tratou da situação de famílias com dependentes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A FNP denunciou a alta rotatividade de profissionais credenciados, fator que compromete a continuidade dos tratamentos e prejudica o desenvolvimento das crianças e adolescentes atendidos. Após cobrança, os gestores concordaram com a criação de um grupo de trabalho envolvendo especialistas, sindicatos e familiares para discutir medidas de proteção ao vínculo terapêutico e melhorias no Programa de Atenção Integral (PAI).
Durante a reunião, o Sindipetro-LP e a FNP também voltaram a defender a migração automática de trabalhadores aposentados para manutenção no plano de saúde, evitando burocracias e exclusões involuntárias de beneficiários idosos. A Petrobrás informou que realiza estudos técnicos para viabilizar mudanças no sistema de transição.
Ao final, foram definidos encaminhamentos tanto para a Petrobrás quanto para a FNP e seus sindicatos. Entre os compromissos assumidos pela empresa estão a apresentação detalhada dos custos administrativos da APS, melhorias no sistema de fornecimento de medicamentos, ampliação da rede credenciada e criação do grupo de trabalho voltado às famílias com dependentes TEA. Já a FNP informou que seguirá pressionando a Petrobrás e a ANS para garantir participação dos trabalhadores na gestão da AMS e melhores condições de atendimento para toda a categoria petroleira.
O Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista entende que, cada vez mais, os beneficiários da AMS precisam participar ativamente da administração, da fiscalização dos custos e também das ações voltadas à melhoria da rede credenciada. A AMS é um dos direitos mais importantes da categoria petroleira e deve ser tratada com a devida atenção.
Canais de atendimento da AMS
Telefone: 0800 728 3372 (24h)
WhatsApp: (31) 98470-5004 (segunda à sexta das 8h às 18h).
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