Alerta! Nova sequência de incidentes em voos offshore expõe falhas na segurança aérea da Petrobrás

Segurança não é custo!

Um novo incidente em voo a serviço da Petrobrás, registrado na segunda-feira (11), voltou a acender o alerta entre trabalhadores e trabalhadoras que dependem do transporte aéreo para embarque e desembarque nas plataformas. A aeronave da empresa Omni, prefixo PR-OHG, enfrentou turbulências durante o voo de ida para a plataforma P-71.

O episódio precisa ser devidamente apurado pela Petrobrás e pela empresa contratada, especialmente porque ocorre em meio a uma sequência preocupante de ocorrências no transporte offshore.

Na semana anterior, em 9 de maio, no Espírito Santo, outro incidente grave envolveu um helicóptero PR-OOU, em voo noturno de instrução, que colidiu com a torre da plataforma P-57, no Campo de Jubarte. A aeronave era tripulada apenas pelos pilotos. Não houve feridos e o retorno ao aeroporto de Vitória ocorreu sem maiores dificuldades. Mesmo assim, o caso é grave e resultou na abertura de uma comissão de investigação, com participação do Sindipetro-ES, para apurar as circunstâncias do incidente.

A ocorrência no Espírito Santo reforça a percepção de escalada de incidentes em 2026 e exige apuração célere e transparente pelos órgãos competentes, incluindo CENIPA, Marinha, Petrobrás e empresas contratadas.

A preocupação também se relaciona ao grave incidente de 31 de março, no Rio de Janeiro, envolvendo uma aeronave da Líder, prefixo PR-EPV. O helicóptero decolou de Jacarepaguá com destino à sonda SS-70, que presta serviço à Petrobrás na Bacia de Santos, em meio a chuva e nuvens carregadas. Logo após a decolagem, entrou em uma nuvem, perdeu altitude repentinamente e quase tocou o mar. Os pilotos conseguiram retomar o controle e retornar ao aeroporto. A investigação sobre o caso é acompanhada pelo Sindipetro-LP, Sindipetro-RJ, Sindipetro-NF e Sindipetro-ES, e está em fase de conclusão.

Além desses episódios, o Sindipetro-LP tem recebido denúncias de trabalhadores sobre sucessivas transferências de voos por motivos nem sempre devidamente explicados, o que aumenta a insegurança e a aflição dos usuários do sistema de transporte aéreo offshore. Não se trata apenas de desconforto operacional. Para quem embarca, qualquer falha de comunicação, mudança de última hora ou ocorrência em voo afeta diretamente a percepção de segurança e a confiança no processo.

A Petrobrás não pode tratar esses casos como fatos isolados. A empresa é responsável pela logística aérea que transporta a força de trabalho para plataformas, sondas e unidades marítimas. Mesmo quando a operação é realizada por empresas contratadas, cabe à Petrobrás fiscalizar, exigir padrões rigorosos, acompanhar a manutenção, revisar protocolos e garantir transparência.

Essa responsabilidade é ainda maior porque a Petrobrás responde por parcela expressiva dos voos offshore no mundo, estimada em cerca de 25% do total do setor. Uma operação dessa dimensão exige controle máximo, fiscalização permanente e prioridade absoluta à vida de trabalhadores, pilotos e tripulações.

O Sindipetro-LP cobra explicações sobre o caso da aeronave PR-OHG, assim como aguarda informações sobre o incidente ocorrido no Espírito Santo, sobre o incidente de 31 de março e sobre as transferências de voos que vêm gerando insegurança na categoria. O Sindicato também exige que as investigações tenham participação sindical, transparência e consequências práticas, para que não terminem apenas em relatórios internos.

Em segurança operacional, a repetição de eventos não pode ser naturalizada. O modelo do “queijo suíço” mostra que acidentes acontecem quando diferentes falhas e fragilidades das barreiras de proteção se alinham. No transporte aéreo offshore, esse alinhamento pode custar vidas.

A Petrobrás precisa agir antes que o próximo alerta se transforme em tragédia. A vida dos trabalhadores e trabalhadoras que impulsionam a empresa e garantem seus resultados deve estar acima de qualquer meta de produção, contrato ou cronograma operacional.

No caso da aeronave PR-OHG, após a chegada à P-71, foi identificada uma carenagem do motor solta. Segundo comunicado sobre o procedimento adotado pela Petrobrás, após inspeção realizada com apoio da equipe de terra, foi avaliado que havia condição de voo. Ainda assim, como camada extra de segurança, a aeronave retornou ao Aeroporto de Jacarepaguá sem passageiros.