Denúncia na Revap: Sindipetro Litoral Paulista repudia ataque misógino contra a dirigente Cidiana Masini

Nota de repúdio

O Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista tomou conhecimento, por meio do Sindipetro São José dos Campos, de um grave episódio de machismo e misoginia ocorrido na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, durante um treinamento da CIPA realizado na última quarta-feira (13).

Segundo relato da entidade, a companheira Cidiana Masini, vice-presidente da CIPA e do Sindipetro-SJC, foi alvo de sucessivas interrupções, agressividade verbal e desrespeito por parte do palestrante responsável pela atividade, um higienista da Recap, ao tentar debater temas relacionados à exposição ao benzeno, riscos ocupacionais e direitos da categoria petroleira, tema do encontro,

O treinamento, que deveria ser um espaço de diálogo, escuta e defesa da vida dos trabalhadores e trabalhadoras, acabou marcado por uma postura autoritária e intimidatória. De acordo com a denúncia, a dirigente sindical teve sua fala constantemente interrompida e foi tratada com gritos e desdém ao apresentar questionamentos técnicos e defender pautas do chão de fábrica. A situação só foi contornada após a intervenção de outro homem presente no debate.

O episódio ocorreu justamente em um espaço ligado à proteção da saúde e segurança da categoria. Além das atribuições relacionadas à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, a CIPA também possui papel fundamental no combate ao assédio e na promoção de um ambiente de trabalho respeitoso e seguro para as mulheres.

Diante dos fatos, o Sindipetro-LP manifesta total solidariedade à companheira Cidiana Masini e repudia veementemente qualquer prática machista ou misógina dentro do Sistema Petrobrás. O que aconteceu na Revap não pode ser tratado como um caso isolado, mas como reflexo de uma cultura estrutural que insiste em sobreviver em ambientes que deveriam prezar pelo respeito, igualdade e diversidade.

É ainda mais grave que o episódio aconteça apenas uma semana após discussões realizadas na Comissão de Diversidade da Petrobrás, onde foram debatidas diretrizes e ações de combate às opressões dentro da empresa. Não é admissível que trabalhadoras sigam sendo silenciadas, interrompidas e desrespeitadas simplesmente por ocuparem espaços de representação, liderança e conhecimento técnico.

As mulheres petroleiras são tão ou mais capacitadas quanto qualquer trabalhador homem e não podem ser tratadas como figuras secundárias ou sem autoridade. O Sindipetro-LP espera rigorosa apuração dos fatos e a devida responsabilização do autor da conduta.