Investe, Petrobrás!
O Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP) realizou, na quarta-feira (13), uma reunião com a vereadora Cássia Gonçalves para discutir o futuro da Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, e os impactos econômicos e sociais provocados pela falta de investimentos na planta.
A principal preocupação é a nova regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre a qualidade do gás natural, que expôs problemas estruturais da unidade e acendeu o alerta para ameaças aos empregos, à operação e à arrecadação municipal.
A situação já afeta diretamente as contas públicas de Caraguatatuba. Somente no início de 2026, o município acumulou perdas superiores a R$ 20 milhões em royalties do petróleo e gás, recursos fundamentais para o financiamento de áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Para o Sindipetro-LP, a Petrobrás precisa apresentar urgentemente um plano de modernização para a UTGCA. Atualmente, a unidade enfrenta um impasse regulatório após a ANP apontar problemas na qualidade do gás processado, devido ao baixo teor de metano, em torno de 80%.
Dados técnicos de monitoramento da planta indicam que, após a última parada de manutenção, a produção da UTGCA estabilizou em aproximadamente 6 milhões de metros cúbicos por dia. O volume representa cerca da metade do registrado no ano passado e está muito abaixo da capacidade nominal da unidade, estimada em 20 milhões de m³/dia.
Para a diretoria do Sindipetro-LP, esse cenário é consequência direta da ausência de investimentos estratégicos na unidade. O esvaziamento da planta é uma escolha institucional. A UTGCA não recebeu os investimentos necessários para atender à nova realidade do pré-sal, enquanto outras rotas foram priorizadas. O resultado é uma unidade cada vez mais pressionada, sem perspectiva clara de futuro e distante do papel estratégico que poderia desempenhar na produção nacional.
A questão também afeta diretamente a população de Caraguatatuba. Os royalties representam uma parcela importante da receita municipal e ajudam a financiar serviços essenciais. Não é aceitável que a cidade seja penalizada por uma estratégia que enfraquece a unidade, ameaça empregos e reduz a capacidade de arrecadação do município.
A Petrobrás tem prazo de três meses para apresentar à ANP um cronograma de adequações e investimentos. Caso contrário, poderá enfrentar multas de até R$ 5 milhões, além do risco de agravamento da inviabilidade operacional da unidade nos próximos anos.
O Sindipetro-LP defende a implementação imediata de um plano de revitalização tecnológica da UTGCA, com investimentos estruturais, garantia da segurança operacional e manutenção dos empregos.
A defesa da UTGCA não representa apenas a preservação de uma unidade operacional. Trata-se da defesa dos empregos, da arrecadação municipal, da segurança energética, da soberania nacional e do papel estratégico da Petrobrás como empresa pública integrada.
