Em entrevista
Os diretores do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, Eduardo Lara de Castro e Tiago Nicolini Lima, participaram na manhã desta quinta-feira (21) do programa ao vivo Jornal Repórter Online Litoral, transmitido pelo canal do YouTube Repórter Online Litoral, onde discutiram temas ligados à Petrobráas, aos trabalhadores do setor e ao futuro da Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba.
Durante a entrevista, os dirigentes destacaram a preocupação da categoria com a necessidade de investimentos na UTGCA para adequação da planta ao processamento do chamado “gás rico”, oriundo do pré-sal. Segundo eles, sem a modernização da unidade, parte do gás poderá continuar sendo desviada para processamento em unidades do Rio de Janeiro, impactando diretamente a arrecadação de royalties das cidades do Litoral Norte.
“O projeto existe e já foi apresentado à Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas a nossa tranquilidade só virá quando vermos as obras acontecendo, com licitação, contratação de mão de obra e implantação efetiva”, afirmou Nicolini.
Os dirigentes explicaram que a UTGCA foi originalmente projetada para processar um tipo diferente de gás, considerado mais “pobre”. Com o avanço da exploração do pré-sal, a Petrobrás passou a lidar com um gás mais rico em componentes como GLP e outros derivados, exigindo adaptações tecnológicas na unidade de Caraguatatuba.
Segundo Lara, a falta dessa adequação faz com que parte da produção seja desviada para outras plantas com maior capacidade de processamento. “Hoje, o Rio de Janeiro tem estruturas mais modernas e acaba recebendo esse gás, o que também aumenta os royalties para lá”, afirmou.
Os diretores também comentaram sobre a queda na arrecadação dos royalties em municípios da região, como Caraguatatuba e Ilhabela. Eles explicaram que a redução está ligada tanto ao declínio natural da produção do campo de Mexilhão quanto ao desvio do gás para outras unidades.
“A preocupação não é apenas econômica para as prefeituras, mas também social, porque isso afeta empregos, investimentos e toda a cadeia produtiva ligada ao petróleo e gás”, ressaltou Nicolini.
Outro tema abordado foi o impacto internacional da guerra envolvendo o Irã e seus reflexos no mercado de combustíveis. Para os dirigentes, o cenário reforça a importância da soberania energética e da Petrobrás como empresa estratégica para o país.
“A Petrobrás vem tentando segurar os preços dos combustíveis e minimizar os impactos externos para a população brasileira”, destacou Nicolini.
Durante a entrevista, os diretores também responderam perguntas sobre questões ambientais relacionadas à UTGCA, como o controle de efluentes e resíduos industriais. Segundo eles, após mobilizações do Sindicato e audiências públicas realizadas em Caraguatatuba, a Petrobrás passou a reforçar medidas de controle e adequação ambiental.
Além das pautas técnicas e econômicas, o Sindipetro-LP também chamou atenção para problemas enfrentados pelos trabalhadores da UTGCA após a mudança da portaria da unidade. O deslocamento aumentou a dificuldade de acesso para funcionários que utilizam bicicleta e sobrecarregou o estacionamento do Hospital Regional.
“A gente vem cobrando soluções junto ao poder público e também melhores condições de mobilidade e estrutura para os trabalhadores”, explicou Nicolini.
Ao final da entrevista, os dirigentes reforçaram a importância da população acompanhar os debates sobre a UTGCA e os investimentos na região.
“O que acontece dentro da UTGCA impacta diretamente a vida da população do Litoral Norte, seja na economia, nos empregos ou na arrecadação das cidades”, concluiu Lara.
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