Estágio em Psicologia
O Sindipetro-LP concluiu, neste primeiro semestre de 2026, uma experiência de formação em parceria com o Centro Universitário Módulo, recebendo 10 estudantes do 9º semestre do curso de Psicologia para o estágio em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Ao longo de 50 horas de atividades, os estudantes participaram de encontros, oficinas, debates e visitas técnicas voltadas à saúde do trabalhador e às relações no mundo do trabalho. Realizada na subsede de São Sebastião e em atividades de campo, a iniciativa teve caráter piloto e foi avaliada como uma experiência de vanguarda na aproximação entre formação acadêmica, prática sindical e saúde do trabalhador.
Os encontros aconteceram ao longo do semestre sob supervisão da assistente social do Sindicato, Pamela Passos; da Dra. Sandra Beltrán Hurtado, do Serviço Coletivo de Saúde do Trabalhador — projeto do Sindipetro-LP voltado ao atendimento de trabalhadores e trabalhadoras próprios e contratados —; com participação da psicóloga do Sindicato, Marcella Moretti, em momentos de troca e orientação; e da professora Kezia Mendes, pelo Centro Universitário Módulo.
Como parte das atividades práticas, nesta semana os estudantes participaram dos debates sobre a nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de Santos e Região (Sindedif), em Santos. A atividade discutiu a prevenção ao adoecimento no trabalho, os riscos psicossociais nos ambientes laborais e as mudanças da NR-1, que passam a exigir das empresas medidas preventivas dentro dos Programas de Gerenciamento de Riscos (PGRs).
Já nesta quinta-feira (21), o grupo realizou uma visita técnica ao Terminal Aquaviário Almirante Barroso (TEBAR), ampliando o contato com a realidade operacional da categoria petroleira e aprofundando as discussões sobre saúde do trabalhador, organização do trabalho e condições laborais.
Estudantes conheceram a realidade da categoria petroleira
A proposta do estágio foi aproximar os estudantes do mundo do trabalho, das relações sindicais e dos impactos da organização laboral na saúde mental dos trabalhadores, especialmente no setor petroleiro.
Ao longo do processo, os participantes conheceram elementos da história da Petrobrás, da organização sindical da categoria, das bases operacionais da região e dos desafios enfrentados por trabalhadores próprios e contratados.
Durante a avaliação final, os estudantes destacaram a experiência como um espaço de aprendizado coletivo, crítico e humanizado, diferente do modelo tradicional encontrado em muitos estágios acadêmicos.
Segundo os relatos, a vivência no Sindicato permitiu compreender a Psicologia para além da clínica, aproximando os futuros profissionais das discussões sobre saúde do trabalhador, fatores psicossociais, direitos trabalhistas, atuação coletiva e luta sindical.
Uma das estudantes relatou que chegou ao estágio com grande expectativa, por já ter interesse na área, mas também com dúvidas sobre como seria a experiência em um sindicato. Segundo ela, a conversa com a psicóloga do Sindipetro-LP, Marcella Moretti, foi decisiva para ampliar sua compreensão sobre o papel da Psicologia nesse campo. O diálogo ajudou a esclarecer suas dúvidas e mostrou, de forma mais concreta, como a atuação profissional pode contribuir para compreender as relações de trabalho, os riscos psicossociais e as demandas coletivas dos trabalhadores. Para a estudante, esse momento representou um ponto de virada na vivência do estágio.
Os estudantes também relataram que o estágio ajudou a superar uma visão individualizante do adoecimento mental, permitindo compreender como o sofrimento psíquico pode estar relacionado às condições de trabalho, à pressão, à sobrecarga e às relações coletivas presentes nos ambientes profissionais.
Outro ponto destacado foi a construção coletiva de questionários, propostas de intervenção e análises voltadas à realidade dos trabalhadores. Para os participantes, o estágio possibilitou sair de uma abordagem genérica para elaborar perguntas e reflexões mais conectadas à realidade concreta do trabalho.
Em uma das devolutivas apresentadas ao Sindicato, os estudantes afirmaram que a experiência proporcionou “uma visão crítica e humanizada sobre o ambiente de trabalho”, além de contribuir para o desenvolvimento de propostas voltadas ao bem-estar laboral e à promoção da saúde dos trabalhadores.
A avaliação também ressaltou a importância do contato com a prática sindical e da escuta ativa promovida durante os encontros. Os participantes destacaram que o estágio ajudou a desmistificar a visão sobre os sindicatos e aproximou os estudantes das lutas sociais relacionadas às condições de trabalho, saúde mental, defesa de direitos e organização coletiva.
Valorização dos estudantes foi destaque na avaliação
Um dos aspectos mais valorizados pela turma foi a forma como os estudantes foram tratados durante o processo. Segundo os relatos, o estágio não reproduziu uma lógica hierarquizada, mas estimulou a participação, o pensamento crítico, o respeito às individualidades e a construção coletiva do conhecimento.
Para os participantes, esse reconhecimento foi fundamental para que se sentissem valorizados e corresponsáveis pela experiência.
A iniciativa também abriu perspectivas para futuras edições do projeto, incluindo possíveis ampliações na carga horária, novas turmas, ajustes de horário, antecipação de visitas técnicas e maior integração com profissionais da Psicologia atuantes na área organizacional e do trabalho.
Kezia, responsável pelo estágio, destacou a importância da experiência multidisciplinar e do planejamento realizado pelo Sindicato. Segundo ela, os estudantes participaram de uma programação estruturada desde o início, algo considerado diferencial em relação a outras experiências acadêmicas.
Para a professora, a atividade permitiu unir teoria e prática de forma concreta, fortalecendo a formação dos estudantes a partir do contato direto com questões relacionadas à saúde do trabalhador, organização do trabalho e atuação coletiva.

Experiência reforça compromisso com a saúde mental no trabalho
Ao final da experiência, estudantes, supervisoras e orientadores defenderam a continuidade e ampliação da parceria. Para o Sindipetro-LP, o estágio se consolidou como uma importante ferramenta de formação, aproximação com a realidade dos trabalhadores e fortalecimento das discussões sobre saúde mental no mundo do trabalho.
A avaliação final também apontou que o Sindicato seguirá estudando formas de aprimorar a proposta, mantendo o compromisso de abrir suas portas para experiências de formação que contribuam para uma Psicologia mais conectada à defesa da saúde dos trabalhadores e às realidades coletivas do mundo do trabalho.

