GT da Alimentação: Assembleias vão decidir luta por restaurante, VA/VR e empregos na RPBC e UTE

A partir do dia 06 de julho

Desde o dia 8 de junho, a diretoria do Sindipetro-LP vem realizando rodadas de conversas com os trabalhadores e trabalhadoras dos grupos de turno e administrativo da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) e da UTE Euzébio Rocha para informar como foi o andamento do Grupo de Trabalho (GT) da Alimentação, os desdobramentos da discussão sobre VA/VR e os próximos passos.

As reuniões prepararam o caminho para as assembleias que vão ocorrer a partir de 6 de julho. A pauta é decisiva: ou a categoria fortalece a luta pela implementação do Sistema Híbrido defendido pelo Sindicato, ou prevalecerá a proposta da empresa, que abre caminho para cortes, demissões e desmonte da estrutura de alimentação construída historicamente dentro da refinaria.

Não é só custo: a Petrobrás quer se livrar de responsabilidades
A discussão feita no GT mostrou que o argumento financeiro usado pela Petrobrás não explica o impasse. Em diversos cenários, pagar o benefício em vale alimentação pode custar mais caro para a empresa do que manter a alimentação in natura. Mesmo assim, a Petrobrás insiste nesse caminho.

Isso revela o verdadeiro objetivo: retirar de si a responsabilidade sobre a alimentação dentro das unidades. Para a empresa, deixar de administrar restaurantes significa se livrar de fiscalização de contratos, reclamações sobre qualidade da comida, custos de estrutura, logística, energia, manutenção, transporte de alimentos, acompanhamento de fornecedores e problemas operacionais que recaem sobre a gestão.Ou seja, a Petrobrás não quer apenas discutir alimentação. Quer transferir responsabilidades, individualizar um direito coletivo e enfraquecer uma conquista histórica da categoria.

O GT foi conquista da mobilização
A criação do GT da Alimentação não foi uma concessão espontânea da Petrobrás. Foi resultado direto da mobilização da categoria e da atuação permanente do Sindipetro-LP ao longo dos últimos anos.A partir desse espaço, o Sindicato apresentou uma proposta construída com base em estudos técnicos, econômicos e sociais: manter a alimentação fornecida no restaurante da refinaria e da UTE, garantindo a estrutura existente, e combinar esse direito com um benefício complementar aos trabalhadores e trabalhadoras.Essa formulação busca conciliar qualidade da alimentação, proteção dos empregos vinculados ao setor, valorização da categoria e melhoria das condições de vida da força de trabalho.

Petrobrás trava a negociação e ignora decisão da categoria
Como já havia sido debatido com os trabalhadores, se o GT reconhecesse a viabilidade da proposta, o encaminhamento deveria ser sua implementação. No entanto, mesmo diante dos argumentos técnicos, econômicos e sociais apresentados pelo Sindicato, a Petrobrás se recusa a aplicar o que foi decidido de forma soberana pela categoria em assembleia.A empresa empacou a negociação e deixou claro que não pretende ceder sem pressão. Por isso, a resposta da categoria precisa ser firme, organizada e coletiva.

A contradição da Petrobrás: o exemplo da REDUC
A Petrobrás tenta usar argumentos econômicos para barrar a proposta na RPBC e na UTE Euzébio Rocha. Mas essa justificativa não se sustenta quando comparada com o que ocorreu na REDUC. Na época, os contratos eram cerca de 70% mais baratos e não havia a terceira alimentação do turno. Mesmo assim, ainda que o modelo custasse mais caro do que a alimentação in natura, sem considerar os custos de infraestrutura, ele avançou na REDUC por um motivo simples: era do interesse da empresa.Agora, quando a proposta atende aos trabalhadores, preserva restaurantes e protege empregos, a Petrobrás cria barreiras, impõe obstáculos e tenta empurrar a categoria para aceitar o seu modelo.

Estudo do Ibeps reforça a viabilidade do Sistema Híbrido
A proposta defendida pelo Sindipetro-LP também é sustentada por estudo técnico elaborado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), com concepção, pesquisa e texto do economista Eric Gil Dantas, em abril de 2024.

É importante destacar que os valores apresentados no estudo correspondem ao cenário analisado naquele período e, portanto, precisam ser atualizados conforme inflação, reajustes contratuais, mudanças nos preços dos alimentos e novas condições de operação. Ainda assim, o estudo segue sendo uma referência fundamental, porque demonstra a lógica econômica, social e sanitária que sustenta a proposta do Sistema Híbrido.

O Ibeps aponta que a alimentação fornecida em refeitórios garante maior qualidade, controle sanitário, equilíbrio nutricional e isonomia entre trabalhadores próprios e contratados. Também alerta que a substituição por vales, de forma isolada, não garante segurança alimentar nem balanceamento nutricional, podendo ampliar o consumo de alimentos ultraprocessados, especialmente em bases operacionais e locais com restrição de acesso a restaurantes e serviços de entrega.

No cenário estudado em 2024, enquanto uma refeição média em Santos custava R$ 46,40, a média ponderada da refeição principal fornecida pela Petrobrás era estimada em R$ 18,57. Considerando toda a alimentação ofertada no refeitório — incluindo lanches, ceias, bebidas, coffee-break e custos operacionais — o custo diário estimado por trabalhador era de R$ 37,47.

Com base nesses números, o estudo apontava que seria possível manter o restaurante e pagar 50% do VA/VR aos trabalhadores das áreas operacionais. Na prática, a proposta significaria refeitório garantido mais R$ 41,75 por dia em benefício, o equivalente a R$ 918,51 por mês, considerando 22 dias úteis.
Mesmo somando restaurante e metade do VA/VR, o custo estimado naquele cenário era de R$ 79,22 por dia, abaixo dos R$ 83,50 do VA/VR integral. 

Ou seja, ainda que os valores precisem ser atualizados, o estudo mostra que o Sistema Híbrido não é uma proposta improvisada. É uma alternativa técnica, econômica e socialmente responsável, que garante alimentação de qualidade dentro da unidade, amplia o benefício para os trabalhadores, preserva empregos e impede que a Petrobrás transfira para cada um uma responsabilidade que deve continuar sendo coletiva.

O desmonte já começou, e os contratados são o primeiro alvo
A promessa de que nada mudaria já caiu por terra. Os primeiros sinais mostram o futuro sombrio da proposta patronal.
De imediato, a Petrobrás já aponta para a demissão dos trabalhadores responsáveis pela logística dos lanches nas salas de controle da refinaria e da UTE. Ou seja, antes mesmo de qualquer mudança mais ampla, empregos contratados já estão sob ameaça.Outro exemplo grave envolve os vigilantes da empresa G8. Para receberem o VA, esses trabalhadores estão sendo pressionados a abrir mão do direito de se alimentar gratuitamente no refeitório. Essa falsa escolha entre vale e restaurante revela o objetivo da empresa: desmontar direitos aos poucos, começando pelos trabalhadores contratados.A preocupação do Sindipetro-LP é que esse modelo avance, no futuro, para toda a força de trabalho contratada, retirando a responsabilidade da Petrobrás sobre a alimentação dentro das unidades e enfraquecendo uma conquista histórica da categoria.

Defender os restaurantes é defender direitos, saúde e empregos
Para o Sindipetro-LP, essa discussão não pode ser reduzida ao valor financeiro do benefício. Alimentação dentro da unidade é tema de saúde, segurança, condições de trabalho, dignidade e preservação de empregos. Os restaurantes garantem alimentação durante a jornada, dão suporte aos trabalhadores de turno, mantêm uma estrutura essencial dentro da refinaria e da UTE e preservam postos de trabalho ligados ao preparo, atendimento, transporte e logística da alimentação.Além disso, manter essa estrutura é fundamental para seguir lutando por condições adequadas de alimentação para toda a força de trabalho, incluindo trabalhadores próprios e contratados. Enquanto o restaurante existe, é possível disputar subsídio, qualidade e acesso à alimentação para todos. Se os restaurantes forem enfraquecidos ou fechados, essa luta praticamente desaparece. Quando a alimentação passa a ser tratada apenas como custo individual, a empresa se livra de responsabilidades, enfraquece direitos coletivos e abre caminho para o mesmo desmonte já visto em unidades da Transpetro.O alerta é claro: hoje o debate pode parecer restrito ao VA/VR. Amanhã, pode significar o fechamento dos restaurantes, a perda de empregos e o fim de uma estrutura que levou décadas para ser conquistada.

Categoria precisa decidir com informação e unidade
O Sindipetro-LP reconhece que a discussão envolve diferentes realidades dentro da categoria. Para muitos trabalhadores e trabalhadoras, especialmente os que ingressaram mais recentemente na Petrobrás, o valor em dinheiro pode representar uma parcela importante da renda mensal.Por isso, o Sindicato não esconde os diferentes aspectos do debate. Há o ponto de vista financeiro individual, o ponto de vista coletivo da luta da categoria e o impacto sobre os trabalhadores contratados. Todos esses elementos precisam estar sobre a mesa.A função do Sindicato é estudar o tema, apresentar os riscos, defender uma posição e garantir que a categoria decida democraticamente. Ter lado nessa luta não significa impedir o debate. Significa assumir a responsabilidade de alertar a base sobre as consequências de cada caminho.

Histórico mostra que só a mobilização garante avanço
A defesa de um modelo que combine restaurante e benefício alimentar começou a ser estruturada pelo Sindipetro Litoral Paulista em 2024, a partir de estudos técnicos, debates com trabalhadores e negociações com a gestão da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC). Ao longo desse período, o Sindicato apresentou propostas, promoveu assembleias, levou o debate para diferentes instâncias da categoria petroleira e manteve a cobrança permanente sobre a Petrobrás. A mobilização também ajudou a garantir conquistas importantes, como o Vale Mercado de R$ 400, resultado da luta nacional dos petroleiros. Mas o Sindicato sempre deixou claro: essa conquista não encerra o debate sobre alimentação. A reivindicação segue em aberto e precisa avançar.

Assembleias vão definir próximos passos, com indicativo de greve e mobilizações
Diante do impasse criado pela Petrobrás, o Sindipetro-LP convoca a categoria para novas assembleias, a partir de 6 de julho, com indicativo de greve e mobilizações para exigir a implementação do Sistema Híbrido.A matemática é simples: quem decide é a categoria. Se não houver resistência, a proposta que vai prevalecer será a da empresa — com mais demissões, corte de direitos, enfraquecimento dos restaurantes e retirada gradual de responsabilidades da Petrobrás.
A alimentação não é apenas uma pauta econômica. É uma luta por saúde, segurança, renda, empregos, condições de trabalho e qualidade de vida.Por isso, a participação dos trabalhadores e trabalhadoras será decisiva. A dignidade da categoria e o emprego dos companheiros contratados dependem da unidade da base.

Calendário e regras das assembleias
As assembleias sobre Alimentação na RPBC serão presenciais, com lista de presença e conferência das listas para garantia da participação da categoria. O calendário das assembleias é: 6/7, com o G1; 8/7, com o G2; 10/7, com o G3; 13/7, com o G4; e 14/7, com o G5 e trabalhadores do administrativo.Nas assembleias, para evitar problemas, as listas serão fechadas às 8h. Após esse horário, quem não estiver presente na barraca não poderá votar.Como de costume, serão abertas inscrições de até 3 minutos para manifestações a favor ou contra as propostas em debate.

Alimentação na RPBC: Contribuições da categoria 

Renda, família e custo de vida na Baixada Santista
“Ingressar na maior companhia do país foi a realização de um grande sonho. Mas, para torná-lo realidade, o preço inicial foi alto: muitos deixaram para trás suas cidades natais, pais, amigos e toda uma rede de apoio. Viemos para a Baixada Santista, sozinhos ou com cônjuges e filhos, enfrentando o desafio de recomeçar a vida em uma região maravilhosa, mas com custo de vida notoriamente elevado.”
“Embora tenhamos o privilégio de receber uma boa alimentação dentro da refinaria, nosso coração e nossa preocupação estão em casa. Nossas famílias não usufruem do refeitório da unidade. Aprovar esse benefício é nos dar o alento e a segurança de que nossos filhos e parceiros terão uma alimentação digna e de qualidade todos os dias.”

VA/VR integral, autonomia e compromissos da Petrobrás
“É natural que muitos tenham receio e preocupação diante de uma mudança na forma como a alimentação é disponibilizada na refinaria. No entanto, é importante analisar os fatos e os compromissos assumidos pela Petrobrás sobre a implementação do VA/VR integral.”
“O restaurante não será fechado. Conforme a cartilha e os documentos da Petrobrás, o restaurante permanecerá em funcionamento. A diferença é que a refeição passará a ser adquirida pelo empregado.”
“Cada trabalhador passa a decidir como utilizar o benefício, podendo almoçar no restaurante da refinaria, levar marmita, comprar refeições prontas ou utilizar o saldo em supermercados e restaurantes, conforme sua realidade e preferência.”

Isonomia com outras unidades do Sistema Petrobrás
“Quando estive em outras refinarias, observei uma alimentação de melhor qualidade e com maior variedade de opções. Além disso, quem não desejasse utilizar o restaurante podia pedir refeições por aplicativo, frequentar restaurantes próximos ou até mesmo levar comida de casa para manter sua dieta e seus hábitos alimentares.”
“Eu fiz o curso de formação em Campinas e almoçávamos na Replan. Funcionava exatamente assim: continuávamos fazendo as refeições na unidade e ainda havia o benefício para compras e outras necessidades.”

Qualidade da alimentação e fiscalização dos contratos
“A qualidade das refeições tem se deteriorado ao longo do tempo, além da recorrente falta de alguns itens. Com o VA/VR, poderei escolher onde e como me alimentar, sem ficar dependente exclusivamente do restaurante contratado.”
“Recebemos cardápios pouco elaborados, já recebemos em diversas ocasiões refeições e verduras com larvas e bichos, e percebemos que os ingredientes são da pior qualidade. Além disso, há um desperdício gigantesco de comida todos os dias.”
“A qualidade da comida servida no restaurante, tanto no preparo quanto nos ingredientes, está abaixo do que já consumi nos anos em que estou no Sistema Petrobrás. De Nordeste a Sudeste, onshore ou offshore, a alimentação servida não se compara a nenhum outro refeitório Petrobrás em que já tive oportunidade de me alimentar.”

Direito de escolha sem perda de direitos
“O crédito que não for utilizado em uma refeição poderá ser aproveitado em outras ocasiões. Isso permite uma alimentação mais adequada durante todo o mês, e não apenas nos dias efetivamente trabalhados na refinaria.”
“A não adoção do VA/VR representa não apenas uma perda financeira significativa, mas também restringe o direito de escolha quanto à forma de se alimentar. Atualmente, os trabalhadores ficam limitados a um único modelo.”
“A categoria tem sede de VA/VR. Temos inveja das outras bases que recebem valores significativos de alimentação e têm a liberdade de escolher onde e como fazer sua alimentação.”
“Sou a favor da implantação do VA/VR na RPBC pela liberdade de escolha dos alimentos: restaurante, aplicativo ou trazer de casa.”
“Também pelo desperdício de alimentos que são jogados no lixo todos os dias nas CCLs e no restaurante, sendo o Brasil um país onde muitas pessoas passam fome.”
“Há possibilidade de implantação de mais de um restaurante, lanchonetes ou mercearia na refinaria, tendo mais opções de comprar alimentos.”

Atratividade da RPBC para novos trabalhadores
“VA/VR sempre representou um benefício atrativo para o trabalhador na corrida pela aprovação no concurso público. Este é o principal motivo que afasta a escolha de lotação para novos funcionários na RPBC.”
“Ninguém mais quer vir trabalhar na RPBC porque não tem direito a um VA/VR de qualidade. Por favor, vamos virar essa página.”

Economia local e empregos da alimentação
“A implementação do VA/VR tende a gerar impactos positivos no comércio local, fomentando a economia de Cubatão ao estimular a demanda por serviços de alimentação e incentivar a competitividade do setor.”
“Com a divulgação, alguns restaurantes poderiam ampliar ou abrir novas unidades com entrega por delivery, por exemplo, gerando mais empregos.”

VA/VR com restaurante mantido
“Entendo o posicionamento referente ao projeto piloto, mas sou da parte da categoria que não concorda com esse plano. Sou defensor do VA/VR 100%. Quanto ao impacto para os contratados, acredito que, mantendo a obrigatoriedade da alimentação in natura nos contratos, os empregos serão mantidos e os restaurantes também.”
“Como a empresa irá manter o restaurante em funcionamento, cobrando as refeições, cada um deveria ter o direito de escolher comer essa comida ou não. Não está valendo a pena o preço que estamos pagando atualmente pelas refeições que estamos recebendo.”