Programa Cuidar
Na última sexta-feira (10), a diretoria do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, juntamente com representantes da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), participou de reunião com a gestão da Petrobrás para discutir temas relacionados à Saúde Petrobrás, com destaque para a implantação das novas regras de cobertura dos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, por meio do Programa Cuidar.
Durante a apresentação, a empresa detalhou as medidas adotadas após a entrada em vigor das mudanças previstas no ACT da categoria, que condicionam a continuidade do subsídio pelo Benefício Farmácia à inscrição do beneficiário no Programa Cuidar e ao acompanhamento por médicos vinculados ao programa.
Inicialmente, o fornecimento dos medicamentos da classe GLP-1 era realizado por meio de entrega domiciliar (delivery). Com a mudança do fluxo de atendimento, o acesso passou a ocorrer pelo Benefício Farmácia. Atualmente, após a análise técnica da solicitação pelo Portal da Saúde Petrobrás, o beneficiário pode adquirir o medicamento com desconto na farmácia de sua preferência, desde que apresente laudos médicos e exames que comprovem a indicação clínica, como obesidade ou diabetes, conforme os critérios estabelecidos.
Segundo os gestores, o novo modelo busca ampliar a coordenação do cuidado e garantir acompanhamento multiprofissional aos usuários desses medicamentos. Entretanto, os representantes sindicais reforçaram que qualquer alteração no acesso ao tratamento deve assegurar a continuidade da assistência, sem criar obstáculos aos trabalhadores, aposentados e pensionistas que já fazem uso da medicação.
Casos excepcionais
Mesmo com as medidas anunciadas pela gestão da Saúde Petrobrás para ampliar a capacidade de atendimento, o Sindipetro-LP segue atuando para garantir que nenhum beneficiário fique sem assistência. Para isso, mantemos um canal direto de interlocução com a Saúde Petrobrás para tratar situações excepcionais. Os trabalhadores, trabalhadoras, aposentados, aposentadas e pensionistas que enfrentarem situações extraordinárias devem procurar seu diretor de base ou liberado para que o caso seja avaliado e, quando necessário, encaminhado à Saúde Petrobrás. Esse trabalho tem contribuído para a resolução de diversas demandas da categoria.
Alta demanda
Os dados apresentados pela gestão da Petrobrás mostram que a implantação das novas regras provocou um crescimento significativo da demanda pela Atenção Primária do Programa Cuidar. Segundo os indicadores apresentados pela empresa, os agendamentos da Atenção Primária cresceram 491% em junho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Já os atendimentos efetivamente realizados registraram crescimento de 365% no mesmo intervalo.
A Petrobrás informou ainda que parte da capacidade disponível deixa de ser aproveitada em razão de cancelamentos, remarcações e ausências dos beneficiários às consultas agendadas. Como encaminhamento da reunião, empresa e entidades sindicais deverão discutir medidas para reduzir esses índices e otimizar a ocupação das agendas, contribuindo para ampliar o acesso dos usuários ao
Programa Cuidar
Os gráficos apresentados durante a reunião demonstram que a procura pelo serviço se intensificou principalmente a partir de maio, quando passou a vigorar a exigência de acompanhamento pelo Programa Cuidar para manutenção da cobertura dos medicamentos GLP-1.
Como resposta ao aumento da demanda, a Saúde Petrobrás informou que promoveu uma série de ações para ampliar sua capacidade de atendimento. Entre as medidas anunciadas estão a ampliação da oferta de consultas médicas, a reorganização das agendas da Atenção Primária, a expansão dos horários de atendimento, a priorização dos beneficiários em uso de GLP-1, o monitoramento permanente da capacidade assistencial, o alinhamento operacional com o Hospital Sírio-Libanês, a implantação de 11 cenários específicos de acolhimento e a criação de duas salas de situação para acompanhamento dos casos considerados críticos.
Os representantes do Sindipetro-LP e da FNP ressaltaram que acompanharão de perto a efetividade dessas medidas, cobrando que a ampliação da estrutura anunciada pela Petrobrás seja suficiente para atender à demanda crescente e garantir que nenhum beneficiário tenha seu tratamento prejudicado por dificuldades de acesso ao Programa Cuidar. Também foi apresentada uma linha do tempo das ações implementadas entre março e junho, incluindo a contratação de profissionais, a ampliação das equipes de enfermagem, o aumento da oferta de consultas aos sábados, a redução do tempo de espera para atendimento, a implantação de ferramentas de monitoramento (Business Intelligence) e novas contratações de médicos. Segundo a empresa, a disponibilidade de horas médicas passou de 1.164 para 2.119 horas no período apresentado.
Regras de transição permanecem em vigor
A Petrobrás informou que seguirá adotando medidas de transição para evitar a interrupção dos tratamentos durante a adaptação ao novo modelo. Enquanto esse processo estiver em andamento, continuam sendo aceitas receitas emitidas por médicos externos ao Programa Cuidar para fins de cobertura pelo Benefício Farmácia. No entanto, o beneficiário deverá realizar sua inscrição no Programa Cuidar, aceitar os termos de participação e aguardar o contato do Hospital Sírio-Libanês para o agendamento da consulta de acompanhamento.
O Sindipetro-LP reafirmou durante a reunião que continuará acompanhando de forma permanente a implantação das novas regras e cobrando da Petrobrás que as mudanças não resultem em barreiras de acesso ao tratamento. Para a entidade, é fundamental que toda a estrutura anunciada pela empresa seja efetivamente capaz de atender à demanda crescente, garantindo consultas em tempo adequado e preservando a continuidade do tratamento de todos os beneficiários que dependem dos medicamentos GLP-1.
A diretoria do Sindicato também seguirá fiscalizando o cumprimento dos compromissos assumidos pela gestão da Petrobrás durante o período de transição, defendendo que nenhum trabalhador, trabalhadora, aposentado, aposentada ou pensionista tenha seu tratamento prejudicado por dificuldades de acesso ao Programa Cuidar ou por limitações operacionais decorrentes da implantação do novo modelo.
