27 de Julho: prevenção salva vidas e combate à sobrecarga, ao adoecimento e aos acidentes de trabalho

O Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, celebrado em 27 de julho, não é uma data para homenagens protocolares. É um momento de reflexão, denúncia e mobilização em defesa da vida da classe trabalhadora. Em um cenário de crescente adoecimento físico e mental, discutir saúde e segurança no trabalho é reafirmar que nenhuma atividade pode ser realizada às custas da vida ou da dignidade dos trabalhadores.

A realidade brasileira demonstra que ainda há um longo caminho para garantir ambientes de trabalho cada vez mais seguros e saudáveis. Os dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que investir em saúde e segurança continua sendo um dos principais desafios para proteger a vida dos trabalhadores. Em 2025, o Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho, o equivalente a 92 acidentes por hora ou um acidente a cada 39 segundos.

No mesmo período, 3.644 trabalhadores perderam a vida, uma média de 10 mortes por dia, ou uma morte a cada duas horas e 24 minutos. Os dados, consolidados pelo Ministério do Trabalho e Emprego a partir dos registros do INSS e do eSocial, reforçam que ampliar as ações de prevenção, fortalecer a cultura de segurança e investir em condições dignas de trabalho são medidas essenciais para reduzir acidentes e preservar vidas. Entre 2020 e 2025, os registros de acidentes cresceram 65,8%, enquanto o número de mortes aumentou 60,8%, evidenciando que o crescimento do emprego precisa ser acompanhado de investimentos efetivos em prevenção.

Os dados também mostram que a maioria dos acidentes de trabalho gera afastamentos e impactos importantes na vida dos trabalhadores. Apenas 25,62% dos acidentados conseguiram permanecer em atividade após a ocorrência, enquanto 62,35% precisaram de afastamento por até 15 dias e 12,03% ficaram afastados por período superior a duas semanas. Esses números reforçam a importância de fortalecer as políticas de prevenção, melhorar as condições de trabalho e promover ambientes laborais cada vez mais seguros para toda a classe trabalhadora.

Burnout: quando o trabalho adoece
Entre os principais problemas de saúde relacionados ao trabalho está a Síndrome de Burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Quando comprovado o nexo entre a doença e as condições de trabalho, o esgotamento profissional pode ser equiparado a acidente de trabalho para fins previdenciários. Esse reconhecimento representa um avanço importante ao demonstrar que jornadas excessivas, metas inalcançáveis, pressão constante, assédio moral e falta de efetivo não são problemas individuais, mas consequências da forma como o trabalho é organizado.

Os dados da Previdência Social também chamam atenção para o crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental. Somente em 2025 foram registrados 546.254 afastamentos por doenças mentais, sendo que 63,46% dos benefícios foram concedidos a mulheres. Estresse grave, ansiedade e episódios depressivos estão entre os principais motivos desses afastamentos, demonstrando que cuidar da saúde mental também precisa fazer parte das políticas de prevenção e promoção da saúde nos ambientes de trabalho.

A realidade da categoria petroleira
Na indústria do petróleo, a prevenção de acidentes precisa estar acima de qualquer lógica de redução de custos. Refinarias, terminais, plataformas e unidades de tratamento de gás operam diariamente com produtos inflamáveis, altas pressões, temperaturas elevadas e agentes químicos que exigem equipes qualificadas, manutenção permanente e rigoroso cumprimento das normas de segurança.

Na Petrobrás, a retomada dos investimentos e a realização de concursos públicos representam avanços importantes, mas ainda insuficientes para eliminar os efeitos de anos de redução de efetivos, terceirização e sucateamento de unidades. Em diversas áreas, a categoria ainda convive com desafios como a sobrecarga de trabalho, a pressão por resultados e situações de assédio, fatores que aumentam os riscos operacionais e favorecem o adoecimento físico e mental.

A recomposição dos efetivos precisa ser acompanhada de planejamento, capacitação permanente, valorização dos trabalhadores e melhoria das condições de trabalho. Segurança operacional não se faz apenas com novos empregados, mas com equipes dimensionadas adequadamente, manutenção preventiva das unidades e respeito aos limites físicos e mentais dos trabalhadores.

No Litoral Paulista, essa realidade é conhecida pelos petroleiros e petroleiras que atuam na RPBC, nos terminais da Transpetro, na UTE, Edisa e nas plataformas e na Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA). A sobrecarga de trabalho, a pressão por produtividade e a necessidade permanente de atenção em atividades de alto risco tornam indispensáveis investimentos contínuos em efetivo, manutenção e prevenção.

O uso correto dos EPIs é indispensável, mas, sozinho, não garante ambientes seguros. A prevenção depende de uma gestão comprometida com a manutenção das instalações, do respeito às jornadas e aos períodos de descanso, da capacitação permanente, do combate ao assédio moral e de equipes dimensionadas de forma adequada.

Saúde e segurança são direitos, não custos
A legislação trabalhista e as  NRs estabeleceram importantes avanços na proteção dos trabalhadores. No entanto, sua efetiva aplicação depende da fiscalização, do compromisso das empresas e da atuação permanente dos sindicatos. Prevenir acidentes e mapear riscos significa defender condições dignas de trabalho, combater a sobrecarga, exigir efetivos compatíveis com a operação, cobrar investimentos em manutenção e impedir que a busca por resultados comprometa a segurança dos trabalhadores.

O Sindipetro-LP seguirá atuando na defesa da categoria e cobrando da Petrobrás a recomposição dos efetivos, o fortalecimento da política de SMS, a manutenção preventiva das unidades, o combate ao assédio moral, a proteção contra agentes químicos e o respeito às condições de trabalho previstas na legislação e nos acordos coletivos.

A defesa da saúde e da segurança no trabalho sempre foi uma das principais bandeiras do Sindipetro-LP e continuará sendo prioridade nas mesas de negociação e nos locais de trabalho.
Promover ambientes de trabalho mais seguros é uma responsabilidade coletiva. Cada acidente evitado, cada doença prevenida e cada trabalhador que retorna em segurança para casa representam uma conquista que precisa ser buscada todos os dias.

Neste 27 de julho, o Sindipetro-LP reafirma que a vida e a saúde dos trabalhadores precisam estar sempre acima de qualquer meta ou resultado operacional. Defender a saúde e a segurança é defender o direito mais básico de todos: sair para trabalhar e voltar para casa em segurança ao final de cada jornada.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Acidentes do Trabalho no Brasil – 2016 a 2025, estudo elaborado com base nos registros do INSS e do eSocial e divulgado durante a CANPAT 2026; Ministério do Trabalho e Emprego. Acidentes de trabalho crescem no Brasil e atingem recorde em 2025.