Diretoria do Sindipetro-LP dialoga com gestão da UTGCA sobre treinamento dos novos técnicos de operação

Saúde mental também em pauta

Após preocupação com os prazos estabelecidos para a conclusão dos treinamentos, gestão esclareceu que as datas são metas e garantiu a continuidade da preparação dos novos operadores

O Sindipetro-LP se reuniu com a gestão da Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA) para tratar do processo de formação e implantação dos novos técnicos de operação que chegaram à unidade após a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras dos turnos pela recomposição do efetivo. Graças a uma série de reivindicações dessa parcela da categoria, o que incluía o aumento do efetivo operacional, foi possível após longa negociação e início de uma greve, conquistar a chegada de novos operadores na unidade.

Inicialmente, os novos operadores passaram por um período de treinamento no regime administrativo. Atualmente, eles estão distribuídos de maneira eventual em seus respectivos grupos de turno, onde dão continuidade à preparação prática, acompanhando as rotinas, os equipamentos e os procedimentos operacionais da unidade.

Durante esse processo, a gestão apresentou metas de prazo para a conclusão dos treinamentos e para o preenchimento dos cadernos de exercícios, o que é naturalmente compreensível. No entanto, por motivos que ainda não foram esclarecidos com precisão, esses prazos passaram a ser interpretados como datas definitivas e improrrogáveis, gerando aceleração no preenchimento dos cadernos, um pouco de ansiedade e preocupação entre os trabalhadores.

Aliado à dificuldade de cumprir os prazos inicialmente estabelecidos, surgiu o receio de que os novos técnicos que não concluíssem o preenchimento dos cadernos, fossem retirados dos turnos e devolvidos ao regime administrativo para reiniciar todo o processo.

Gestão explica que prazos não são datas fatais
Na reunião com o Sindipetro-LP, a gestão informou que os prazos apresentados não representam datas fatais para a conclusão dos treinamentos práticos com preenchimento dos cadernos. Segundo a empresa, tratam-se de metas de acompanhamento e, caso não sejam alcançadas num primeiro momento, poderão ser postergadas para que o processo de formação tenha continuidade.

A gestão afirmou ainda que um eventual retorno ao regime administrativo somente ocorreria se fosse identificada a necessidade de revisitar algum equipamento, procedimento ou conteúdo que não tenha sido suficientemente assimilado. Caso essa situação venha a ocorrer, ficou estabelecido que o Sindicato será cientificado do planejamento desse retorno, para pode avaliar alguma possível discordância, discutindo os conteúdos que deverão ser revisados, os prazos necessários e a posterior reintegração do operador ao seu grupo de turno.

Avaliação positiva dos novos operadores
Durante o encontro, a gestão fez uma avaliação bem positiva dos novos técnicos de operação, destacando a dedicação e o comprometimento demonstrados ao longo do processo de formação. Até o momento, não há indicação da necessidade de um processo de reaprendizagem. A previsão apresentada é de que todos sejam aprovados, implantados e mantidos em seus respectivos turnos.

A gestão também informou que, após a aprovação e a implantação, os técnicos de operação júnior já estarão formalmente aptos a participar das convocações adicionais. O Sindipetro interpelou sobre o tema, fez suas considerações e sugeriu algum ajuste para que não sobrevenha condições inseguras e ambiente ruim de trabalho. A empresa afirmou que estudará a adoção de um período de adaptação após implantação dos novos operadores ao turno, antes de eles receberem sua primeira convocação, permitindo que os novos adquiram mais experiência, segurança e familiaridade com as atividades da unidade e vejam como são praticadas as convocações pela gestão e atendidas pelos técnicos mais experientes que garantem o bom funcionamento da planta. Segundo a gestão, as convocações adicionais seguem critérios previamente estabelecidos por meio de orientações internas superiores e que os trabalhadores e trabalhadoras não são obrigados a aceitá-las, obviamente. Para a entidade Sindical, boas práticas no processo de convocação permite um ambiente saudável entre gestão e trabalhadores e entre os próprios operadores, evita que o Sindicato, revestido da organização da categoria petroleira do LP, tenha que promover mobilizações e demais enfrentamentos na defesa dos trabalhadores.

Formação não pode ser fonte de adoecimento
Para o Sindipetro-LP, o processo de treinamento deve assegurar a aprendizagem efetiva, respeitando o tempo necessário para a assimilação dos conteúdos e a segurança das atividades. Metas administrativas não podem se transformar em instrumentos de pressão, insegurança ou adoecimento mental. A chegada dos novos operadores é resultado da luta dos turneiros da UTGCA pela recomposição do efetivo e por melhores condições de trabalho. Por isso, sua formação e implantação devem ocorrer de maneira responsável, sem atropelos e sem comprometer a saúde física e mental dos trabalhadores e trabalhadoras.

O Sindicato continuará acompanhando o processo, dialogando com a gestão e atuando para equacionar os conflitos que surgirem, sempre em defesa da categoria e contra práticas que contribuam para o adoecimento nos ambientes de trabalho