Nova proposta de Participação nos Lucros mantém lógica do acordo anterior e amplia piso e teto em 5,8%

Em mesa

O Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, junto aos demais sindicatos que compõem a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), voltou a cobrar, nesta segunda-feira (21), durante reunião com a gestão da Petrobrás, respostas concretas para demandas que seguem pendentes, entre elas a renovação do acordo coletivo específico do teletrabalho e a busca por soluções para os equacionamentos da Petros.

Sobre o teletrabalho, a gestão afirmou que avaliará a solicitação e que encaminhará o pedido de reunião para apresentar uma resposta possivelmente na semana que vem. Em relação aos equacionamentos a gestão vai repassar o pedido de reunião diretamente para a presidente Magda.

A postura da empresa parece um disco empenado, que repete sempre a mesma história, sem que soluções efetivas sejam apresentadas. Enquanto os sindicatos da FNP cobram respostas, os trabalhadores continuam sendo enrolados e aguardando medidas que enfrentem de fato os problemas levantados.

Atualização da proposta de PLR
Durante a reunião, a gestão apresentou uma atualização da proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para o biênio 2026/2027. A nova versão mantém a estrutura central do acordo anterior, com pagamento proporcional ao atingimento dos indicadores a partir de 80% do resultado consolidado.

De acordo com os dados apresentados, o atingimento dos indicadores da Petrobrás em 2026 está em 99,76%, arredondado para 99,8%. Nesse cenário, a remuneração prevista na tabela sofre uma redução de aproximadamente 1% do piso ou 2,97 remunerações no valor a ser pago em relação ao atingimento integral das metas.

A empresa também apresentou uma ampliação de 5,8% no piso e no teto da PLR em comparação com a proposta inicial apresentada em 14 de agosto. Apesar do reajuste dos limites, a estrutura de pagamento continua vinculada ao desempenho dos indicadores e às regras do acordo.

A tabela mantém limites globais relacionados ao lucro líquido e limites individuais de remuneração, com diferenciação entre os grupos de empregados abrangidos pelas cláusulas específicas.A nova proposta também altera o limite para desconto de dívidas na folha de pagamento, reduzindo-o de 50% da primeira proposta para 30% nesta proposta, do valor total da PLR. Dentro desse percentual, os descontos referentes à AMS ficam limitados a 15% dos 30%.

Entre as novidades apresentadas está  o condicionamento de assinatura desta proposta até 30/10/26 para a a antecipação em janeiro de 2027 e janeiro de 2028.

A Transpetro segue a Petrobrás: a subsidiária também mantém a lógica de vinculação dos pagamentos aos resultados e aos critérios estabelecidos na proposta, reforçando a necessidade de uma discussão que contemple os trabalhadores de todo o Sistema. Os indicadores da transpetro estão em 100% até o momento.

Lucros e dividendos: resultados para os acionistas, limites para os trabalhadores
A atualização da proposta ocorre em um momento em que a Petrobrás apresenta resultados financeiros expressivos. No segundo trimestre de 2026, foi registrado lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, crescimento de 97% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também divulgou recordes operacionais na produção de petróleo e na utilização do parque de refino. 

Nesta segunda-feira (21), a Petrobrás realizou o pagamento de uma parcela de juros sobre capital próprio aos acionistas, conforme o calendário de remuneração divulgado pela empresa. Enquanto a remuneração aos acionistas segue sendo executada com cifras estratosféricas, a proporção destinada àqueles que efetivamente produzem a riqueza da empresa segue sendo mínima e cheia de entraves. Não é aceitável que o crescimento dos lucros e da produção não se traduza em uma participação mais justa da força de trabalho nos resultados.

A discussão da PLR não pode ser reduzida à manutenção de regras e limites apresentados pela gestão. É necessário avançar na construção de um acordo que reconheça o esforço dos trabalhadores e assegure uma distribuição mais equilibrada da riqueza produzida no Sistema Petrobrás, ou seja, ainda não temos uma proposta de PLR para todo o Sistema Petrobrás e igualitária para todos os empregados.

Nesta terça-feira (22), terão continuidade as negociações sobre a PLR. O Sindipetro-LP e os demais sindicatos que compõem a FNP seguirão cobrando respostas concretas e avanços nas negociações, tanto em relação à participação nos lucros quanto às demais pautas da categoria que permanecem sem solução. Ao final da reunião, a diretoria do Sindipetro-LP cobrou novamente o agendamento de uma reunião para tratar dos problemas crônicos enfrentados pelos trabalhadores offshore, conforme relatado no ofício enviado há uma semana.