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A Diretoria do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista se reuniu na quarta-feira (23) com o RH local e gerência da Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, para cobrar encaminhamentos e soluções para demandas que afetam diretamente as condições de trabalho e a segurança dos trabalhadores e trabalhadoras da unidade.
Entre os principais pontos discutidos estiveram o protocolo para atendimento em casos de exposição ao benzeno, o transporte para a troca de turno, a isonomia da Gratificação de Campo Terrestre, a recomposição do efetivo e as condições ergonômicas das salas de controle.
Protocolo de benzeno: sindicato rejeita “cabresto” gerencial para atendimento médico
A alteração proposta no procedimento de coleta de urina em situações de exposição aguda ao benzeno foi um dos principais pontos de discussão. A proposta da gestão prevê que, nos casos em que a medição de exposição fique abaixo de 0,25 ppm, a realização do exame toxicológico dependa de autorização prévia do gerente imediato.
O Sindipetro-LP rejeita a medida e considera que ela representa uma forma de “cabresto” gerencial sobre o trabalhador, ao condicionar a busca por atendimento médico à autorização da chefia. O Sindicato defende que o trabalhador tenha autonomia para procurar atendimento médico sempre que considerar necessário, sendo suficiente a comunicação ao superior imediato. Decisões relacionadas à saúde e à segurança não podem ficar submetidas ao aval da chefia.
A proposta também não alcançou consenso no âmbito da CIPA, e o Sindipetro-LP seguirá cobrando da gestão um procedimento que preserve a autonomia do trabalhador e garanta atendimento adequado em situações de possível exposição ao benzeno.
Transporte: tempo para troca de turno precisa ser respeitado
Outro ponto de preocupação apresentado pelo Sindicato foi a tentativa da gestão de minimizar o tempo destinado à troca de turno, com o objetivo de evitar a geração de horas extras. Há situações em que motoristas são orientados a reduzir a velocidade durante o deslocamento até a UTGCA, mesmo quando existe possibilidade de chegada antecipada à unidade, de forma a manter o horário de chegada próximo ao limite previsto.
Essa prática desconsidera a dinâmica real da operação e acaba precarizando a passagem de serviço das equipes. O tempo necessário não se limita ao deslocamento até a unidade: é preciso considerar o percurso desde a catraca de entrada, passando pelo vestiário (K-25), até o efetivo posto de trabalho, além do tempo necessário para que as informações operacionais sejam devidamente repassadas entre as equipes.
O Sindipetro alertou que a redução desse tempo pode colocar trabalhadores e a própria unidade em condição insegura. A passagem de serviço é uma etapa fundamental da operação e precisa ocorrer de forma adequada, com tempo suficiente para o repasse das informações e a continuidade segura das atividades. A história traz exemplos como os acidentes de Piper Alpha e Flixborough, nos quais falhas de comunicação, procedimentos e transferência de informações contribuíram para a ocorrência de graves acidentes
O Sindipetro-LP cobra que a gestão priorize a segurança operacional e respeite o tempo efetivamente necessário para a troca de turno, em vez de buscar reduzir esse período com o objetivo de evitar a geração de horas extras.
Gratificação de Campo Terrestre: Sindicato cobra isonomia
Durante a reunião, a gerência informou que considera inviável a implementação do VA/VR em razão da incompatibilidade com o recebimento da Gratificação de Campo Terrestre. Diante desse posicionamento, o Sindipetro-LP reforçou a reivindicação pela extensão da gratificação aos trabalhadores que atuam em regimes especiais, garantindo tratamento isonômico entre os empregados da unidade. Além disso, também cobrou que a questão seja discutida nos fóruns corporativos e incorporada às negociações do ACT da categoria. Após a cobrança, o tema será encaminhado para discussão nas instâncias corporativas pertinentes.
Recomposição do efetivo é necessária
A redução do efetivo em razão de aposentadorias, sem a reposição proporcional das vagas, também foi discutida. A situação tem aumentado a sobrecarga das equipes de operação e manutenção, com impacto ainda mais significativo na manutenção elétrica, setor que enfrenta há anos a falta de novas contratações por concurso público.A gerência do ativo informou que os desligamentos já foram mapeados e que o processo de reposição das vagas junto ao RH está em andamento.
O Sindipetro-LP continuará acompanhando o processo e cobrando que a recomposição do efetivo ocorra de forma ágil, garantindo condições adequadas para a execução das atividades.
Ergonomia: melhorias nas salas K-21 e K-28
As condições de espaço e estrutura das salas de operação K-21 e K-28 também foram apresentadas à gestão. Na K-21 (Produção 1), o Sindicato cobrou a instalação das divisórias indicadas pela ergonomista, medida necessária para melhorar a organização do ambiente, principalmente durante os períodos de troca de turno, quando há maior concentração de trabalhadores no local.
Já na K-28 (Utilidades), o espaço disponível é considerado insuficiente para a quantidade de técnicos, além da falta de computadores para atender adequadamente à equipe. Como alternativas de curto prazo, o sindicato apresentou a possibilidade de adequação da atual sala de reuniões ou da sala utilizada para parada programada.
A proposta também busca melhorar o fluxo de entrada e saída do setor, que é o único do prédio com funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia.
O Sindipetro-LP seguirá acompanhando os encaminhamentos e cobrando da gestão da UTGCA respostas e soluções para as demandas apresentadas. Para o sindicato, garantir condições adequadas de trabalho, segurança e efetivo suficiente é responsabilidade da empresa e uma prioridade para a categoria.
