E&P
A política de contenção de despesas implementada pela gestão de E&P vem gerando fortes questionamentos entre os trabalhadores da plataforma de Mexilhão. Segundo relatos recebidos pelo Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, os critérios para a programação de cursos obrigatórios não vêm sendo aplicados da mesma forma para todos. É a famosa lei dos dois pesos e duas medidas.
Trabalhadores da operação e da manutenção estão sendo orientados a realizar os treinamentos durante o período de escala. O problema central é que a Petrobrás não tem feito a devida recomposição dessa mão de obra, desrespeitando as exigências de quadro mínimo e comprometendo os padrões de segurança da unidade. Na prática, a realização dos cursos tem significado embarques antecipados ou desembarques antes do término regular da folga/escala, provocando desfalques diretos nas equipes de bordo.
A situação preocupa porque o efetivo na plataforma já atua no limite. A retirada de profissionais de suas funções rotineiras sem a devida substituição compromete ainda mais o contingente necessário para garantir a segurança operacional da unidade. Em um dos casos levados ao Sindicato, operadores F2 e F3 precisaram se ausentar para realizar treinamentos obrigatórios, deixando essas funções sem cobertura adequada durante o período noturno; o backlog de manutenção só aumenta devido a falta de reposição de efetivo em treinamentos.
A preocupação se agrava em cenários de emergência. Em um eventual shutdown da planta, por exemplo, a ausência de profissionais habilitados e familiarizados com determinados painéis e manobras pode dificultar significativamente os procedimentos de recomposição e retomada segura da operação — especialmente na madrugada.
Tratamento diferenciado na liderança?
Os relatos apontam ainda para uma clara assimetria na forma como os cursos são programados de acordo com a hierarquia. Enquanto a base operacional perde folga ou desfalca a turma por falta de recomposição, supervisores e coordenadores estariam conseguindo agendar seus cursos nos períodos de folga, recebendo as devidas horas extras.
Em outro episódio citado, um supervisor, ao substituir temporariamente um coordenador, teria utilizado a prerrogativa do cargo para alterar a própria escala futura, fazendo com que um treinamento coincidisse com seu período de folga para garantir o recebimento das horas. Situações como essas escancaram a disparidade de tratamento: o pau que bate em Chico, definitivamente, não tem batido em Francisco.
O cumprimento das capacitações exigidas pela Petrobrás é uma obrigação que deve ser organizada com transparência, critérios objetivos e de forma isonômica, sem privilégios ou penalizações em razão da função exercida.
Diante das denúncias, o Sindipetro-LP vai notificar o RH da unidade para exigir explicações formais sobre o planejamento dos cursos e a falta de recomposição do efetivo em Mexilhão.
A capacitação técnica é indispensável para a segurança no offshore, mas sua gestão não pode atropelar os direitos dos trabalhadores nem colocar a operação em risco. Se a regra existe, deve valer para todos. O Sindipetro-LP seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas da gerência.
O Sindipetro-LP seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas da gerência, avaliando em paralelo a necessidade de agir em âmbito jurídico acionando seu departamento responsável para garantir o direito da força de trabalho prejudicada por tais medidas da empresa.
