no Terminal de Santos
Menos de uma semana após o alerta do Sindipetro-LP sobre a degradação da segurança no Terminal de Santos, um acidente ocorrido no dia 19 de outubro confirmou o risco iminente. Uma explosão seguida de incêndio atingiu a casa de máquinas, área crítica responsável pela refrigeração do GLP. O local armazena cerca de 30 mil toneladas do combustível — o equivalente a 2,3 milhões de botijões de 13 kg —, o que exige rigor operacional absoluto para evitar tragédias de proporções catastróficas.
A intervenção imediata da brigada de incêndio evitou que o fogo atingisse as instalações do SEGAS. No entanto, o atendimento à emergência escancarou deficiências estruturais: os brigadistas de emergência não dispunham roupas adequadas para combate a incêndio, deixando os trabalhadores desprovidos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) essenciais.Além da falta de roupas adequadas para o combate ao incêndio, luvas, botas e capacetes da brigada também não estavam disponíveis no abrigo, evidenciando a gravidade das falhas na preparação para situações de emergência.
As apurações preliminares indicam que o fogo começou durante um serviço de esmerilhamento em uma tubulação de gasolina. A linha não teria passado pelo devido condicionamento — drenagem e esvaziamento completos —, permitindo o acúmulo de vapores inflamáveis que causaram a explosão. O episódio evidencia falhas na liberação do serviço, no planejamento e na integração das equipes no GPI.
Diante do ocorrido, o Sindipetro-LP cobrou da Transpetro uma apuração rigorosa das causas e responsabilidades, a correção imediata das irregularidades identificadas e a garantia de disponibilidade permanente de EPIs. Até o momento, a única medida adotada pela gestão da unidade foi a criação de uma comissão de aprendizagem.
A vida dos trabalhadores não pode ser colocada em risco em nome de metas operacionais e resultados. A prevenção de acidentes não pode depender apenas da coragem e da rapidez dos brigadistas diante de uma emergência. É responsabilidade da empresa garantir condições seguras de trabalho, equipamentos adequados, procedimentos rigorosos e uma gestão verdadeiramente comprometida com a saúde, a segurança e a integridade física de todos que mantêm o terminal em funcionamento.
