Falta de manutenção nas plataformas aumenta riscos de acidentes e ameaça a segurança dos trabalhadores

Alerta

A falta de manutenção nas plataformas da Petrobrás e a a falta de priorização dos serviços de conservação das unidades têm provocado a deterioração das estruturas e ampliado os riscos à segurança dos trabalhadores. A situação preocupa, especialmente diante do aumento de ocorrências envolvendo queda de estruturas e partes de equipamentos, conhecidas como drops, além de acidentes de trabalho que atingem principalmente os petroleiros contratados.

Um dos casos mais recentes ocorreu na plataforma P-66, onde, há cerca de 15 dias, um trabalhador perdeu parte de um dedo durante uma operação de manutenção. Segundo relatos de trabalhadores envolvidos nas análises de ocorrências, a falta de manutenção adequada aparece como um dos principais fatores relacionados aos acidentes.

As decisões tomadas pelo alto escalão da Petrobrás têm privilegiado o lucro em detrimento dos investimentos necessários à manutenção das unidades, colocando em segundo plano a segurança e a saúde de quem trabalha nas plataformas. Mais uma vez, a história se repete em um looping infinito: a gestão prioriza o lucro desmedido enquanto, literalmente, sangra os trabalhadores. Afinal, quando a manutenção fica em segundo plano, quem paga o preço é quem está na linha de frente.

Outro ponto de preocupação envolve o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Petrobrás, no contexto de uma ação decorrente da morte de um trabalhador. Na ocasião, uma grade de piso cedeu, provocando a queda do empregado, que acabou não resistindo aos ferimentos.

Mesmo após o compromisso firmado, relatos apresentados nas reuniões das CIPLATs continuam apontando a permanência de problemas estruturais. Entre as situações recorrentes estão as grades de piso em avançado estado de corrosão, condição que expõe os trabalhadores ao risco de acidentes graves e até fatais.

Os registros reforçam a necessidade de fiscalização, investimentos e medidas efetivas para garantir a integridade das estruturas e condições seguras de trabalho. A manutenção não pode ser tratada como custo secundário ou atividade sujeita apenas às metas de rentabilidade. É uma medida fundamental de prevenção e proteção à vida.

A situação nas plataformas precisa ser acompanhada de perto, com transparência sobre as ocorrências, responsabilização pelo cumprimento dos compromissos assumidos e prioridade absoluta à segurança dos trabalhadores, próprios e contratados. Até quando, hein? Até quando a vida dos trabalhadores continuará sendo colocada em risco em nome do lucro?

Essa sistemática de negligência com a manutenção das unidades configura um cenário de Risco Grave e Iminente (RGI), colocando em perigo a integridade física e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras offshore.

Diante desse quadro, o Sindipetro-LP dará início a uma campanha de conscientização junto aos trabalhadores e trabalhadoras das plataformas, reforçando a importância de conhecer e exercer o direito de recusa, garantido pela legislação nos casos em que houver risco grave e iminente à saúde ou à segurança.

Além disso, o Sindicato levará ao conhecimento do MPT os relatos e registros de descumprimento sistemático do TAC, cobrando providências para que os compromissos assumidos pela empresa sejam efetivamente cumpridos.

Caso essas medidas não resultem em mudanças concretas nas condições de segurança das unidades, o Sindipetro organizará mobilizações e, em última instância, poderá avançar para a construção de um movimento grevista contra as condições inseguras de trabalho e em defesa do bem mais importante: a vida humana.

Afinal, nenhum resultado operacional e nenhum lucro justificam colocar vidas em risco. Segurança não é custo. Manutenção não é gasto dispensável. A vida dos trabalhadores está em primeiro lugar!