Trabalhadores da RPBC começam semana com atraso em alusão ao Dia Nacional de Luta Contra o Benzeno

5 de Outubro

Nesta segunda-feira (7) os petroleiros da refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) participaram de atraso em alusão ao dia 5 de outubro, considerado o Dia Nacional de Luta Contra o Benzeno.

Desde 2012, quando a data foi instituída como dia de conscientização contra os riscos à exposição do Benzeno, a categoria do Litoral Paulista participa de mobilizações em suas bases.

Durante o atraso, realizados com os grupos 3 no período da manhã e grupo 4 à tarde, a diretoria do Sindipetro-LP falou da intenção do governo Bolsonaro que pretende rever as normas regulamentadoras, reduzindo as exigências e obrigações do empresariado, de modo que estas medidas cortem as regras que protegem os trabalhadores de ambientes de trabalho insalubres e dos riscos de acidentes. O maior ataque contra o direito dos petroleiros será na alteração no anexo 13-A do Benzeno.

Durante o atraso, a diretoria falou sobre os rumos do ACT 2019, que está em fase de assembleias, com indicativo de rejeição pelas federações, sobre a proposta apresentada pelo TST, que retira direitos e rebaixa salários, oferecendo reajuste salarial menor do que a inflação em um ano, de apenas 70% do índice apresentado pelo INPC. Outro ponto que irá afetar os trabalhadores caso a proposta do TST passe nas assembleias, será a aplicação da Resolução 23, da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), que estabelece que até 2022 os custos da AMS sejam divididos igualmente, passando dos atuais 70/30 para 50/50.

Dentro desse assunto, o aumento da exposição dos trabalhadores ao benzeno deverá ser uma das consequências graves, visto que a empresa tem diminuído o efetivo, com os seguidos PIDVs, sem substituir a mão de obra que se perde. Com isso e diante da proposta do TST, que permite à empresa diminuir o pagamento de horas extras de 100% para 75% e estabelecer banco de horas, a sobrecarga de trabalho recairá sobre todos os trabalhadores, que serão submetidos a mais horas de exposição ao benzeno.

Por tudo isso, rejeitar a proposta do TST e organizar a greve nacional petroleira será o ponto de virada do protagonismo dos trabalhadores, que desde 2015, ano a não, mesmo com lutas e vitórias, tem perdido cada vez mais direitos, que visam facilitar a privatização da Petrobrás.  

Em memória dos companheiros
O dia 5 de Outubro no Litoral Paulista, além de representar uma data de reflexão e combate aos riscos da exposição ao benzeno, é a data da morte de Roberto Krappa, operador por 12 anos na RPBC, que em 2004 morreu vítima de leucemia mieloide aguda, uma das consequências do benzenismo. O benzenismo é um conjunto de sinais, sintomas e complicações decorrentes da exposição aguda ou crônica ao benzeno.

Os anos de exposição ao benzeno na refinaria, conforme constatado em seu atestado de óbito, causaram a doença silenciosa, vitimando Krappa, o separando da esposa e de seus dois filhos para sempre.

No dia 18 de setembro de 2017, o petroleiro Marcelo do Couto Santos, de 49 anos de idade, faleceu também em virtude da exposição ocupacional a hidrocarbonetos e ao Benzeno. Marcelo trabalhava há 30 anos na Petrobrás, como técnico de operação no terminal de Pilões da Transpetro de Cubatão.

Desde Krappa, a Petrobrás continua se recusando a aplicar o Acordo Nacional do Benzeno, afirmando que existe tolerância à substância mesmo quando a legislação diz o contrário. Diante disso, cabe ao movimento sindical e aos trabalhadores lutar pela manuntenção da vida.

Estamos em luta, em defesa da saúde dos trabalhadores!